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Extra (Rio de Janeiro, RJ) online

Má qualidade do ensino da matemática desestimula jovens para a engenharia, dizem especialistas

Publicado em 26 agosto 2010

RIO - A má qualidade do ensino básico, principalmente na área de matemática e física, é uma das possíveis causas para o desinteresse dos alunos pelas carreiras da engenharia, área em que, segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI), apresenta déficit anual de 30 mil profissionais. (Leia mais: Engenharia Ambiental: profissão tem mercado ampliado pela preocupação com o meio ambiente)

Segundo o professor da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) Vanderli Fava e o diretor científico da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), Carlos Henrique Cruz, a falta de domínio dos fundamentos das duas disciplinas não só atrapalham o desempenho dos estudantes que cursam engenharia, como afasta muitos outros. (Saiba mais: Quais são as 100 profissões do futuro)

- Por uma séria de problemas estruturais, os alunos dos ensino fundamental e médio não aprendem adequadamente os conceitos da matemática e da física. Daí resta uma mística de que estas matérias são muito difíceis e alguns estudantes acabam optando por cursos da área de humanas - disse Fava à Agência Brasil durante um evento realizado pela CNI em parceria com o Instituto Euvaldo Lodi (IEL) e com o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) para debater a formação dos engenheiros brasileiros. (Veja também: Profissões nas áreas de engenharia de petróleo e ambiental são as que mais crescerão nos próximos anos)

- O ensino básico tem que formar melhor os alunos para que eles percam o medo das ciências exatas. Hoje, as universidades procuram adequar os currículos dos cursos de engenharia para dar conta das deficiências que os alunos trazem do ensino fundamental e médio - completou o professor. (Leia aqui: PUC-Rio lança primeiro curso de Engenharia em Nanotecnologia para o vestibular 2011)

O diretor científico da Fapesp, Carlos Henrique Cruz, tem opinião semelhante.

- Há uma série de dificuldades para a formação de novos profissionais, mas uma das principais, a meu ver, são as deficiências do sistema educacional brasileiro. Como o país forma mal durante o ensino fundamental e médio, poucos jovens chegam a cursar uma faculdade - diz.

Apesar de o Índice de Desenvolvimento de Educação Básica (Ideb), divulgado no início deste ano pelo Ministério da Educação (MEC), registrar uma pequena melhora, a partir de 2005, em relação ao desempenho dos estudantes dos ensinos fundamental e médio em provas de matemática, na cidade de São Paulo, a Secretaria de Educação constatou que menos da metade dos alunos da rede municipal atingem um nível considerado satisfatório para a disciplina.