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Má conduta científica é um problema global, afirma pesquisador

Publicado em 02 setembro 2014

Por Elton Alisson, da Agência FAPESP

Em agosto, a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) sediou o 3º BRISPE – Brazilian Meeting on Research Integrity, Science and Publication Ethics, evento sobre ética em produções acadêmicas.

Na ocasião, Nicholas Steneck, diretor do programa de Ética e Integridade na Pesquisa da University of Michigan, nos Estados Unidos, afirmou que problemas acadêmicos como plágio, falsificação e fabricação de resultados científicos deixaram de ser problemas exclusivos de potências em produção científica, como os Estados Unidos, Japão, China e Grã-Bretanha.

“Inicialmente, a má conduta científica era um problema limitado a poucos países, como os Estados Unidos. Mas agora, nações emergentes em ciência, como o Brasil, ‘juntaram-se ao clube’ em razão do aumento da visibilidade de suas pesquisas, e têm sido impactadas de forma negativa por esse problema”.

Para o diretor, é necessária uma ação conjunta entre instituições de ensino e pesquisa de todo o mundo, para manter a produção científica fora de riscos, além de evitar danos à integridade da ciência.

Os números globais de fraude acadêmica são alarmantes. De acordo com a revista Proceedings of the National Academy of Sciences of the United States of America (PNAS), foram registrados que 21,3% de 2.047 retratações de artigos científicos foram atribuídos por erro de pesquisadores de 56 países.

No entanto, 67,4% das retratações foram atribuídas à má conduta científica. Delas, 43,4% ocorreram por fraude ou suspeita de fraude, 14,2% por publicação duplicada e 9,8% por plágio. Estados Unidos, Japão, China e Alemanha responderam por três quartos das retratações.

“Vemos que há mais casos de má conduta científica hoje do que há 10 anos, mas não sabemos se o número de casos está aumentando ou se estão sendo mais descobertos e revelados. O fato é que as pessoas estão prestando mais atenção ao problema da má conduta científica e cada vez mais novos casos têm sido relatados”, afirmou Nicholas Steneck.

Para o especialista, as instituições de ensino podem se defender desse problema.

“Há enorme confiança na ciência como uma atividade com controles internos rigorosos que dificulta estabelecer um consenso de que ela deva ser mais vigiada. É preciso que as universidades, instituições e agências de fomento à pesquisa dos países que fazem ciência se engajem em educar e promover a integridade científica entre seus pesquisadores. É preciso que as universidades e instituições de pesquisa, que têm muitos departamentos e laboratórios, observem se seus pesquisadores estão sendo treinados de forma eficaz em integridade científica, sentenciou.

Fonte: (Agência Fapesp)