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O Liberal (PA)

Luz do vaga-lume pode ajudar a identificar câncer

Publicado em 14 fevereiro 2007

Pesquisadores de três universidades paulistas estão investigando a atividade de uma enzima presente em vaga-lumes e outros besouros luminosos. Eles acreditam que essa enzima, denominada luciferase, poderá ter aplicação em diagnósticos clínicos, ajudando a identificar, por exemplo, o estágio inicial de um processo de metástase num caso de câncer. A pesquisa, iniciada por cientistas da Universidade Federal de São Carlos (Ufscar) e da Universidade Estadual Paulista (Unesp), foi agora transferida para os laboratórios da Universidade de Sorocaba (Uniso).

Segundo o professor Vadim Viviani, da Ufscar, responsável pelo estudo, compreender o funcionamento da luciferase poderá trazer novos conhecimentos para fins biotecnológicos, com possibilidade de aplicação nas áreas médica e farmacêutica, entre outras. "Se conseguirmos analisar a estrutura da enzima e em que medida ela determina as propriedades luminescentes, poderemos desenvolver novas enzimas e ampliar a gama de aplicações da luciferases, já utilizadas em bioensaios no exterior".

O objetivo é utilizar as luciferases já clonadas em laboratório, que possuem um vasto espectro de cores, para construir biosensores para análises de toxicidade ambiental, bioprospecção de novos medicamentos e diagnóstico clínico. "Na área clínica, por exemplo, um dos possíveis usos da luciferase seria em reagentes bioindicadores de viabilidade celular. Ela poderia ajudar a identificar, através de suas propriedades luminescentes, o estágio inicial de um processo de metástase, num caso de câncer, tipo de procedimento que não existe atualmente. Há uma gama enorme de possibilidades de aplicação desse conhecimento, dentro dos próximos dez anos", diz Viviani.

Enzimas semelhantes às do vaga-lume estão presentes também em outros tipos de células e órgãos, inclusive humanos, como fígado e cérebro, mas sem a luminescência. Segundo o pesquisador, entender como a enzima evoluiu até desenvolver essa propriedade e por que isso ocorre poderá trazer os conhecimentos necessários para tornar outras enzimas luminescentes e diversificar as aplicações das luciferases.

Etapa -  Um dos objetivos é clonar o DNA, que codifica a luciferase em células de mamíferos, para acender essas células. Essa é a fase do estudo iniciada em Sorocaba. "Uma das aplicações, que já é fruto de patente, é o uso do gene do vaga-lume para a produção de bactérias bioluminescentes que servirão como biosensores para bioprospecção de novos medicamentos", explica. A pesquisa foi iniciada pelo professor Vadim há dez anos, na Universidade de São Paulo (USP), e continuada depois na Ufscar. A nova fase, que envolve a universidade de Sorocaba, começou na segunda quinzena de janeiro.

A parceria se deu em função da infra-estrutura oferecida, já que a Ufscar está em processo de instalação em Sorocaba e ainda não possui laboratórios. "Temos interesse em manter colaboração com os cursos de Biotecnologia e de Farmácia da universidade", disse Viviani. O projeto tem apoio da Fapesp, do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e da Sociedade Japonesa de Promoção à Ciência, e conta com a colaboração de pesquisadores do Japão e dos Estados Unidos.

(Agência Estado)