Notícia

Jornal do Comércio (RS)

Lupa eletrônica facilita leitura em pessoas com baixa visão

Publicado em 15 novembro 2010

Outra vantagem, destaca a médica, é o preço: cerca de R$1.800,00, valor em que estão incluídos a prancha para leitura, o trilho, a câmera e os cabos para conexão. "Este preço é inferior a produtos similares que chegam a custar até R$5 mil. Alguns aparelhos importados que também incorporam o monitor, custam entre R$ 14 e 17 mil", conta. Outro problema desses aparelhos é que diante de quebras, o conserto demora muito tempo.

O projeto lupa eletrônica, desenvolvido a partir de uma pesquisa realizada na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) da USP, tem como principal objetivo facilitar a vida de pessoas com baixa visão, aliando conforto, praticidade e baixo custo. O equipamento é composto por uma câmera de vídeo que filma palavras, frases e imagens e as exibe num monitor (televisão ou computador) ampliando em 80 vezes o tamanho original do que está escrito. "A câmera percorre um trilho e, embaixo desse trilho, há um livro apoiado numa prancha de leitura", descreve a médica e arquiteta Fernanda Bonatti.

Os dados do projeto estão na tese de doutorado Design para deficientes visuais: proposta de produto que agrega videomagnificação a uma prancha de leitura, apresentada na FAU em setembro de 2009, sob a orientação da professora Maria Cecilia Loschiavo dos Santos. O projeto acabou saindo do papel graças ao Centro de Inovação, Empreendedorismo e Tecnologia (Cietec), onde a empresa incubada Bonavision Auxílios Ópticos pôde aprimorar a ideia. Atualmente o produto já está sendo comercializado. A iniciativa também contou com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Sâo Paulo (Fapesp). Além da lupa eletrônica, a empresa também comercializa a prancha de leitura e a lupa, todas com pedido de patente em andamento.

"A lupa eletrônica fica fixada no trilho e pode percorrer toda a largura da página. Para mudar de linha, basta apenas mover o trilho para cima ou para baixo. É a própria pessoa quem comanda os movimentos. Essas características possibilitam que mesmo os portadores de mal de Parkinson, por exemplo, sejam beneficiados", descreve a pesquisadora.

Foi este projeto inicial de prancha de leitura que deu o impulso para que Fernanda, juntamente com o oftalmologista José Américo Bonatti, criasse a empresa Bonavision e fizesse sua incubação no Cietec. "A lupa eletrônica foi desenvolvida a partir deste modelo inicial. Primeiramente usamos uma lupa no lugar da câmera e o aumento proporcionado foi de seis vezes o original", explica.