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Lupa da USP facilita leitura de pessoas com baixa visão

Publicado em 15 julho 2008

Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) desenvolveram uma lupa especial para leitura que amplia o corpo de letras de textos em cinco vezes e diminui as distorções, permitindo a visualização de palavras por pessoas com problemas visuais. A lente, cujo desenvolvimento foi descrito em artigo publicado na revista Arquivos Brasileiros de Oftalmologia, começou a ser comercializada pela Bonavison, empresa do Centro Incubador de Empresas Tecnológicas (Cietec) da USP.

Com poder de refração de 22 dioptrias (unidade de medida de potência equivalente ao inverso da medida focal em metros) e diâmetro de 50 milímetros, a lupa atende principalmente às pessoas que têm baixa visão ou visão subnormal. Isto é, comprometimento que impossibilita uma visão útil para os afazeres habituais, mesmo após tratamento ou correção dos erros refrativos comuns com o uso de óculos, lentes de contato ou implante de lentes intra-oculares.

O projeto interdisciplinar foi desenvolvido pelo Grupo Design para a Saúde, apoiado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Participam pesquisadores da área de design da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo e da área de oftalmologia da Faculdade de Medicina, ambas da USP.

De acordo com o oftalmologista José Américo Bonatti, diretor da empresa e autor principal do artigo, por ser asférica (possuir superfície com curvatura em formato não-esférico), a lente diminui as distorções da periferia, ampliando o diâmetro útil para leitura. As lupas comuns, encontradas no mercado, proporcionam aumento de duas vezes e são esféricas.

“Se a lupa esférica for de grande aumento, seu diâmetro terá de ser pequeno, para que as distorções de imagem da periferia causadas pelas aberrações esféricas se minimizem. Desse modo, permitem que se vejam sílabas e não palavras inteiras, o que dificulta a leitura”, explica Bonatti.

Diferenciais – Segundo o oftalmologista, existem centros universitários que desenvolvem lentes asféricas para pesquisa. Mas a lupa criada pelo grupo tem alguns diferenciais: “Nosso produto é uma lupa ergonômica de mão que utiliza lente asférica de grande aumento. Ela traz também uma inovação: o anel com depressão externa facilita a apreensão dos dedos”.

A lupa é composta por um cilindro de alumínio cortado, torneado e com rosqueamento interno para acomodar a lente. O anel apresenta uma depressão externa para não escorregar dos dedos do portador. Uma barra de aço cilíndrica mantém a lente em posição estável.

A lupa é mais cara do que as tradicionais, mas, segundo o oftalmologista, custa menos que as lupas asféricas similares importadas. “A limitação é que o paciente precisa procurar pelo foco para obter a melhor imagem e não atende a casos de deficiências mais graves”, informa Bonatti.

Imagem sete vezes maior

Depois da redação do artigo publicado na revista Arquivos Brasileiros de Oftalmologia, a Bonavison (empresa do Centro Incubador de Empresas Tecnológicas –  Cietec da USP) criou a lupa asférica de apoio, ou seja, que tem a vantagem de apresentar imagem pré-focada. “Essa outra tem 6 centímetros de diâmetro e 28 dioptrias, proporcionando aumento de sete vezes, o que atende mais pessoas com deficiência visual. O usuário pode deslizar a lupa sobre o texto sem precisar procurar o foco a todo o momento, o que melhora a qualidade e o conforto da leitura”, afirma o oftalmologista José Américo Bonatti.

Da Agência Fapesp