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Correio Popular

Lume estréia novo espetáculo em São Paulo

Publicado em 03 março 2006

Por Carlota Cafiero, da Agência Anhangüera (carlota@rac.com.br)
Teatro
O Que Seria de Nós Sem as Coisas Que Não Existem está em cartaz no Sesc Belenzinho

O novo espetáculo do Lume, O Que Seria de Nós Sem as Coisas Que Não Existem, é resultado da homenagem de uma neta ao seu avô, o "Seu" Sérgio, dono da octogenária Fábrica de Chapéus Cury, localizada no bairro Guanabara, em Campinas. Tudo começou quando Júlia Zakia, a neta em questão, estreou em 2004 o premiado curta-metragem O Chapéu do Meu Avô, escrito e dirigido por ela durante o curso de audiovisual da Universidade de São Paulo (USP).
A montagem estréia nacionalmente hoje, às 21h30, no Galpão 1 do Sesc Belenzinho, em São Paulo, onde fica em cartaz até 26 de março, com sessões às sextas-feiras, às 21h30, e aos sábados e domingos, às 18h. A estréia em Campinas se dará em junho, no Sesc.
"Nós assistimos ao documentário e ficamos encantados por aquele universo retratado por Júlia. A fábrica é como uma ilha isolada no tempo, que apesar de estar inserida num mercado e exportar chapéus que produz, seu interior traz equipamentos do começo do século 20", conta ator Jesser de Souza, um dos quatro atores que trabalham no espetáculo.
Outra contribuição imprescindível para o espetáculo foi a do ator e diretor argentino radicado na Itália Norberto Presta, do Centro Via Rosse Produzione Teatrale (com o qual o trabalho do Lume tem muitas semelhanças), que dirigiu os atores e escreveu alguns trechos da peça.
De influência em influência, O Que Seria de Nós... veio à luz. O nome é uma adaptação da frase do filósofo e poeta francês Paul Valéry (1871-1945), "O que seria de nós sem o socorro do que não existe?". "A frase tem muito a ver com o trabalho do ator, pois a cada novo espetáculo nos lançamos a um desafio diferente, na construção de algo que ainda não existe", compara Jesser.
O núcleo de atores é o mesmo do espetáculo Café com Queijo (1999). Através da mímesis corpórea (técnica desenvolvida pelo Lume que auxilia o ator na imitação da voz, dos gestos e movimentos de outras pessoas), Ana Cristina Colla, Jesser de Souza, Raquel Scotti Hirson e Renato Ferracini representam personagens baseados em pessoas reais, que são os cerca de 15 operários, tanto ativos quanto aposentados, da Fábrica de Chapéus Cury, entrevistados pelo grupo.
"Esse espetáculo é bem diferente do Café Com Queijo, pois nesse temos personagens e uma dramaturgia", explica o ator. A dramaturgia nasceu da costura de depoimentos dos operários aos textos escritos por Presta e outros criados pelos atores durante improvisações em sala.
Com 70 minutos, a história mistura situações reais e imaginárias, e se passa em uma fábrica onírica, quando, durante uma madrugada, três chapeleiros-cientistas aposentados se reúnem para confeccionar o chapéu perfeito, ajudados por uma jovem aprendiz.
Os cenários de Abel Saavedra (Seres de Luz Teatro) reproduzem, de maneira estilizada, a fábrica. A música foi feita especialmente pelo violeiro e compositor Ivan Vilela, que acompanhou a criação do espetáculo, e é tocada ao vivo, por um violinista e um violoncelista. Os figurinos são de Sandra Pestana e o desenho de luz de Eduardo Albergaria. O processo de pesquisa teve apoio da FAPESP (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo), da Funcamp (Fundação Universidade de Campinas) e Fábrica de Chapéus Cury.
O Sesc Belenzinho fica na Avenida Álvaro Ramos, 915, telefone (11) 6602-3700, próximo à Estação Belém do Metrô. Os ingressos custam R$ 15,00, R$ 10,00 (matriculado em alguma unidade do Sesc, aposentados e estudantes com carteirinha) e R$ 7,50 (trabalhador no comércio e serviços matriculado e dependentes). Censura: recomenda-se acima dos 12 anos.