Notícia

Correio Popular

Lume é destaque na Mostra de Artes Cênicas

Publicado em 22 agosto 2006

Não adianta apenas entender, é preciso compreender. E isso vai além do domínio da teoria ou da prática. Afinal, para que serve tanto saber acumulado se não conseguimos melhorar nossas vidas? O que Seria de Nós Sem as Coisas que Não Existem é o novo espetáculo do Lume — Núcleo Interdisciplinar de Pesquisas Teatrais da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), que será apresentado hoje, às 20h, no Espaço Cultural CPFL (Rua Jorge Figueiredo Corrêa, 1.632, Chácara Primavera, fone: 3756-8000), com entrada franca. Os ingressos serão distribuídos uma hora antes.
A montagem foi criada e produzida pelos atores em parceria com o Centro Via Rosse di Produzione Teatrale (Itália). Em janeiro de 2004, o Lume convidou o argentino radicado na Itália Norberto Presta para dirigir o espetáculo, que parte do universo de velhos operários da antiga Fábrica de Chapéus Cury, em Campinas, para falar da busca pela perfeição e de um sentido para o trabalho cotidiano.
Essa peça marca estréia do Lume na construção de uma dramaturgia com início, meio e fim, isto é, com o objetivo de contar uma história, e não fragmentos de histórias. O processo foi semelhante ao de Café com Queijo, um dos espetáculos mais queridos do grupo, fazendo uso da mímesis corpórea, que é a codificação de gestos e ações físicas e vocais de pessoas encontradas no nosso cotidiano.
Os atores Renato Ferracini, Ana Cristina Colla, Raquel Scotti Hirson e Jesser de Souza conviveram um tempo com os operários aposentados da octogenária Fábrica de Chapéus Cury. Dessa vivência, colheram depoimentos sobre como era o dia a dia, o trabalho e as relações interpessoais dentro da fábrica localizada no bairro Guanabara. A partir disso, criaram um universo ficcional que amarra os personagens e suas histórias.
A peça de 70 minutos de duração se passa no interior da fábrica, durante uma madrugada qualquer, quando os operários mais antigos se encontram para criar o que chamam de "o chapéu perfeito", junto a um jovem aprendiz. Os quatro personagens ritualizam aquele momento de modo a criar uma aura de magia em torno de um fazer artesanal, qualidade que perdemos completamente na pressa do fazer industrial.
O belo cenário criado por Abel Saavedra (dos Seres de Luz Teatro) ajuda a aumentar ainda mais essa aura mágica: dezenas de chapéus pendem do teto em meio a antigas ferramentas de chapelaria. A música, composta especialmente pelo violeiro Ivan Vilela, é tocada ao vivo por um violinista e um violoncelista. Os figurinos são de Sandra Pestana e o desenho de luz de Eduardo Albergaria. O processo de pesquisa teve apoio da FAPESP (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo), da Funcamp (Fundação Universidade de Campinas) e Fábrica de Chapéus Cury.
O que Seria de Nós Sem as Coisas que Não Existem já foi apresentado no Sesc-Belenzinho (onde estreou nacionalmente em março deste ano) e no 6 Festival Internacional de Teatro de São José do Rio Preto.