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UNICAMP - Universidade Estadual de Campinas

Lula destaca importância da C&T para país manter liderança na produção de etanol

Publicado em 22 janeiro 2010

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva destacou nesta sexta-feira (22) a importância dos investimentos em Ciência e Tecnologia para que o Brasil mantenha a posição de liderança mundial na produção de etanol. Ao falar para uma platéia atenta, durante a inauguração do Laboratório Nacional de Ciência e Tecnologia do Bioetanol (CTBE), em Campinas, Lula afirmou que o combustível ocupará uma parcela cada vez maior na matriz energética brasileira. "Nesse aspecto, nenhum país está em condições de ensinar o Brasil", disse.

A inauguração do novo laboratório contou com a presença de diversas autoridades e representantes da comunidade científica. Além do presidente, participaram da cerimônia o governador de São Paulo, José Serra; o ministro de C&T, Sergio Rezende; a ministra chefe da Casa Civil, Dilma Roussef; e o ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha. Entre os integrantes da comunidade científica, estiveram presentes o reitor da Unicamp, Fernando Ferreira Costa; o diretor do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais, Rogério Cesar Cerqueira Leite; o diretor do CTBE, Marco Aurélio Pinheiro Lima; e o presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência, Marco Antonio Raupp.

"A inauguração do novo laboratório representa uma importante parceria entre os governos federal e estadual", observou o governador José Serra em seu discurso, lembrando que o terreno de 8,7 mil metros quadrados onde a unidade foi construída foi cedido pelo estado de São Paulo. Além disso, segundo o governador, parte dos investimentos vieram da Fundação de Amparo e Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), enquanto a direção do laboratório estará a cargo de pesquisadores vinculados à Unicamp e à USP.

"O novo laboratório reforça ainda mais a vocação da região de Campinas para a área de Ciência e Tecnologia, bem como a participação da Unicamp em projetos estratégicos para o país", disse o reitor Fernando Costa, destacando que o diretor do CTBE, Marco Aurélio Pinheiro Lima, pertence ao quadro de pesquisadores da universidade. Outro aspecto importante, segundo ele, é a proximidade entre as duas instituições. O CTBE está localizado ao lado do Laboratório Nacional de Luz Síncrotron (LNLS), na mesma região do campus universitário. "Certamente haverá um grande intercâmbio com nossos pesquisadores".

O CTBE realizará pesquisas sobre o ciclo da cana-de-açúcar/bioetanol. O objetivo, segundo o diretor da unidade, é contribuir para a liderança brasileira no setor de fontes renováveis de energia e de insumos para a indústria química, em especial o desenvolvimento da cadeia produtiva do bioetanol de cana-de-açúcar.

Com investimentos de aproximadamente R$ 69 milhões, o CTBE oferecerá sua infraestrutura a grupos externos de pesquisa e fornecerá tecnologia e informações estratégicas para as indústrias. A criação do CTBE tem como base um estudo encomendado pelo ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), sobre a possibilidade de o Brasil substituir 10% de toda a gasolina utilizada no mundo por etanol de cana-de-açúcar. A pesquisa indica que o país tem condições de se tornar um grande fornecedor de etanol, desde que produza cerca de 250 milhões de litros de etanol por ano. Em 2008, a produção brasileira foi de 27 bilhões de litros. Para aumentar esse volume, o estudo ressaltou a necessidade de novos investimentos em pesquisa.

Um dos principais objetivos do CTBE será desenvolver pesquisas que permitam a produção em larga escala de etanol a partir do bagaço e da palha da cana-de-açúcar. O chamado etanol de celulose, ou etanol de segunda geração, é produzido a partir da transformação de biomassa em açúcar. Toda matéria vegetal é constituída de lignocelulose, um conjunto de polímeros formado por celulose, hemicelulose e lignina. A celulose e a hemicelulose podem gerar etanol celulósico. Antes da fermentação, porém, é preciso quebrar suas cadeias químicas para obter o açúcar. As duas técnicas mais conhecidas são as hidrólises enzimática e ácida. Na primeira, mais lenta, uma enzima faz a quebra; na segunda, a tarefa fica a cargo de um ácido.

Durante a inauguração, o CTBE também firmou três acordos de cooperação científica. Dois deles são internacionais, com a Imperial College London, da Inglaterra, e com a Universidade de Lund, da Suécia. O outro, de âmbito nacional, foi assinado com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).