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Editora Unesp

Luiz Repa investiga o significado do conceito de reconstrução em Jürgen Habermas

Publicado em 19 julho 2021

A partir de lacuna deixada na obra do filósofo alemão em relação ao tema, autor desdobra a densidade do tópico, referindo-se a ele como central na Teoria Crítica habermasiana

Com objetivo principal de demonstrar a centralidade da categoria de reconstrução por meio das implicações políticas do método reconstrutivo e, de outro lado, por meio das implicações metodológicas da teoria do discurso e da teoria da ação comunicativa, o filósofo Luiz Repa adentra a obra do alemão Jürgen Habermas, sempre em busca de examinar campo de relações com a política no sentido mais amplo do termo. É assim que nasce Reconstrução e emancipação: método e política em Jürgen Habermas , lançamento da Editora Unesp.

“Embora Habermas recorra sempre aos termos ‘reconstrução racional’, ou, mais simplesmente, ‘reconstrução’ e ‘reconstrutivo’ para se referir às suas contribuições – seja na teoria social, nas considerações sobre a linguagem, na ética do discurso, seja na teoria do direito e da democracia –, não é possível encontrar uma investigação sistemática de larga escala a respeito do tema, o que significa dizer que, no final das contas, não se buscou ainda compreender o significado maior do “método” para esse pensador”, explica Repa. “Em parte, tal situação precária começou a ser sanada com a atenção mais recente dedicada a essa dimensão da obra habermasiana e, portanto, às especificidades do método reconstrutivo. Mas, mesmo nesses casos, convém observar diversas unilateralidades e simplificações.”

Ao longo de sete capítulos, Luiz Repa embrenha-se em diversos escritos do teórico alemão – Conhecimento e interesse, Facticidade e validade, Teoria da ação comunicativa, entre outros – e os entrelaça com críticas de outros teóricos – Rahel Jaeggi e Robin Celikates, por exemplo –, perseguindo a modelagem de uma teoria reconstrutiva da sociedade no próprio solo da obra habermasiana. A partir daí, retraça a relação estreita entre método e política, utilizando-se das implicações políticas do método reconstrutivo e das implicações metodológicas da teoria do discurso e da teoria da ação comunicativa.

No prefácio, o filósofo Vinicius Berlendis de Figueiredo afirma que a obra é “referência indispensável” ao estudo de Habermas. “Seu maior mérito, a meu ver, está em torná-lo polêmico. Isso porque o percurso refeito aqui se abre para leituras que, concorde-se ou não com Habermas, recobram o alcance de sua trajetória”, considera. “Paralelismos, correspondências e divergências só podem ser suscitadas, ali onde há obra – no caso, uma obra atravessada por um engajamento metodológico que não cessa de suscitar comparações oportunas, visto que, como todo mundo sabe, “método” soa como poesia para ouvidos filosóficos. Visto que um mesmo intuito crítico guia as diferentes posições metodológicas de Habermas, não espanta no fim depararmos com o ponto de partida – a saber, o enlace entre reconstrução e emancipação, só que agora assegurado por outros expedientes.”

Sobre o autor – Luiz Repa possui graduação (1995), mestrado (2000) e doutorado (2004) em Filosofia pela Universidade de São Paulo. Fez estudo complementar na Goethe-Universität de Frankfurt am Main (2002), estágio de pesquisa na Humboldt-Universität zu Berlin (2015, BPE FAPESP) e em Paris 1 Panthéon-Sorbonne (2018, Bolsa Capes Professor Visitante Sênior). É professor associado da Universidade de São Paulo, onde ingressou em 2013; coordenador do projeto USP-Humboldt “Critical Theory goes global” (2018- 2020); bolsista do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq, desde 2015); pesquisador do acordo CAPES-COFECUB “Autonomia, tolerância, razão pública: usos contemporâneos da filosofia das Luzes” (Sorbonne, Rennes, USP, UFPR); membro do Grupo Interuniversitário de Pesquisa Filosofia Crítica e Modernidade (FCeM). É membro da comissão organizadora da coleção “Habermas” pela Editora Unesp desde 2012 e editor executivo dos Cadernos de Filosofia Alemã desde 2020.