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Diário do Nordeste

Lúcia Nagib lança "Cinema de Retomada"

Publicado em 28 dezembro 2002

Lúcia Nagib, professora da Unicamp e PUC-SP, lançou o livro O Cinema da Retomada - Depoimentos do 90 Cineastas do; Anos 90 Trata-se de alentado volume de 528 páginas, fruto de pesquisa financiada pela Fapesp. O trabalho, que consumiu quatro anos. reuniu, sob o comando de Lúcia, equipe de treze alunos de pós-graduação, ligados ao Centro de Estudos de Cinema da PUC. Cinema da Retomada é o quarto livro de Lúcia. Antes, ela publicou Werner Herzog: O Cinema Como Realidade, Em Torno da Nouvelle Vague Japonesa e Nascido das Cinzas: Autor e Sujeito nos Filmes de Oshirna. Em 2003, chegará às livrarias londrinas, o livro New Brazilian Cinema, que ela organizou para o leitor britânico. A mais recente pesquisa de Lúcia (que também deve virar livro em 2003) é Imagens do Mar: Utopia e Distopia no Cinema Brasileiro Recente. Quem enfrentar as 528 páginas de Depoimentos de 90 Cineastas dos Anos 90 - livro, aliás, de prazerosa leitura desfrutará de grande painel do cinema brasileiro da chamada Retomada. Por discordar do termo. Júlio Bressane preferiu ficar de fora. Outro ausente é Vinícius Mainardi, autor dos controvertidos 16.060 e Mater Dei. Lúcia conta que o cineasta "não se reconheceu na entrevista editada". E "não quis modificá-la, nem conceder outra, possibilidade que lhe foi oferecida". A atriz e diretora Norma Bengell, traumatizada com o imbróglio O Guarany,também preferiu o silêncio. Ganham destaque nomes como Jean Claude Bernardet (São Paulo: Sinfonia & Cacofonia) & Aluísio Raulino (São Paulo, Cinemacidade), autores destes dois filme-ensaio-poético, Jorge Furtado, José Roberto Torero, José Pedro Goulart e Cecílio Neto (diretores dos episódios que compõem a longa Felicidade É...) e os já falecidos Amylton Almeida (O Amor Está no Ar) e Denoy de Oliveira (A Grande Noitada). Falam por Amylton e Denoy integrantes das equipes de seus filmes. No caso de Jussara Queiroz (A Arvore da Marcação), que recupera-se de problema neurológico (conseqüência de uma encefalite), ouve-se a irmã, Iara Queiroz, que, em fina sintonia com a trajetória da realizadora potiguar, fornece boas informações. Dois cultores do cinema trash - Afonso Brazza, o bombeiro de Brasília, e Talício Sirino, o lutador de caratê de Cascavel - ganharam espaço em condição de igualdade com Nelson Pereira, Saraceni, Babenco ou Walter Lima Jr. Como bem observa Ismail Xavier no denso prefácio que abre o livro, trata-se de "painel de época". Painel que adota critérios ajustados a "espirito de documentação", cujo "horizonte está na composição de uma fisionomia atual do cinema brasileiro que não passa pelo gosto". Ou seja, não se privilegia a política dos autores, tão forte nos anos 50/60. Todos que realizaram (ou melhor lançaram) filmes entre 1994 e 1998, tiveram vez.