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Lixo espacial gera alerta após reentrada de foguete no céu brasileiro; cientistas expõem preocupação (4 notícias)

Publicado em 16 de maio de 2025

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Gizmodo Infofix CCHLA/UFRN - Centro de Ciências Humanas Letras e Artes da UFRN

Na noite de quarta-feira (14) algo chamou a atenção nos céus de alguns estados brasileiros, como Minas Gerais e Distrito Federal. Inicialmente, havia pouca informação, abrindo possibilidade para especulação.

Descobriu-se depois que, provavelmente, se tratava de um foguete da SpaceX lançado há mais de 10 anos para o espaço, segundo a Rede Brasileira de Monitoramento de Meteoros.

O caso, no entanto, gerou discussões dentro da comunidade científica sobre o futuro, em especial pela possibilidade de mais itens como esses caírem não apenas no Brasil, mas também em outras partes do mundo. Eles poderiam atingir a água, mas também, caso sejam maiores, causar prejuízos ou danos físicos.

Há um cálculo por diversas instituições de que são mais de 130 milhões de objetos rondando a Terra e podendo cair a qualquer instante - a grande maioria é bem pequena. Eles vão desde restos de satélites até foguetes. Nenhum deles possui mais utilidade e acabam ficando 'abandonados'.

Segundo a Fapesp, cerca de 130 milhões possuem entre 1 milímetro e 1 centímetro; outros 1,1 milhão entre 1 e 10 centímetros; e outros 40 mil maiores que 10 centímetros.

'À medida que a nossa tecnologia está avançando e nós estamos caminhando para o espaço, a exploração comercial do espaço, com o avanço de tecnologias como Starlink, geoprocessamento e GPS, cada vez mais veremos objetos em torno da órbita terrestre. Isso quer dizer que você vai ter, sim, maior intensidade de reentrada desses objetos em nosso planeta', diz o astrônomo Marcelo De Cicco, especialista em ciências planetárias e coordenador do projeto brasileiro de pesquisa de meteoros Exoss.

O cientista alerta que, atualmente, existem comissões na ONU dedicadas à exploração espacial e vinculadas a comitês de direito internacional, que já discutem formas de lidar com essa situação.

Já o professor e diretor do Observatório do Valongo da UFRJ, Thiago Signorini Gonçalves, chama atenção para o impacto cultural do problema, especialmente em povos que utilizam o céu como referência para localização e orientação.

'Acho que a principal preocupação da comunidade científica é com o que está no céu. Sempre destaco o problema dos satélites de comunicação em órbitas baixas, pois eles interferem significativamente nas observações astronômicas. Há uma preocupação evidente com essa contaminação do céu — inclusive por parte de culturas que utilizam os astros como referência', afirma.

E como resolver?

Diante de tanta investigação e preocupação crescente, surge a dúvida: como enfrentar o problema? Diversas medidas vêm sendo adotadas recentemente para lidar com a questão — inclusive no Brasil.

No país, teve início uma estruturação nacional para monitorar detritos espaciais e gerenciar possíveis colisões com satélites brasileiros. Também está em andamento um projeto para ampliar a segurança nos lançamentos realizados a partir do Centro Espacial de Alcântara, no Maranhão.

A iniciativa prevê um sistema próprio de gerenciamento de risco e análise em tempo real, além da instalação de três telescópios dedicados à observação e rastreamento de objetos espaciais.

O astrônomo Marcelo De Cicco destaca a grande dificuldade de acompanhar o lixo espacial gerado pelos constantes lançamentos de empresas privadas, como a SpaceX e a Starlink. Segundo ele, essas companhias realizam lançamentos frequentes, muitas vezes sem fornecer informações completas, o que dificulta o monitoramento.

'Monitorar tudo isso é bastante complicado, porque, em alguns casos, as próprias empresas não enviam informações completas. Ainda assim, via de regra, existe hoje um monitoramento global do lixo espacial, realizado por agências espaciais', explica.

Por meio de grandes telescópios e técnicas como filtros espaciais, é possível rastrear a trajetória desses destroços.

Thiago acrescenta que é essencial promover o diálogo entre a comunidade astronômica internacional e os governos, com o objetivo de ampliar a atenção ao problema e construir uma legislação capaz de frear o uso desenfreado do espaço.

'Acredito que é fundamental promover um diálogo com os governos e buscar a implementação de uma legislação que assegure o entendimento dos interesses de todos, além de garantir que as empresas privadas forneçam informações sobre lançamentos anteriores', completa.

Por  Cláudio Gabriel