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Livro sobre arquiteto mostra a formação da cidade de SP

Publicado em 26 fevereiro 2013

Um diploma de arquiteto da renomada École des Beaux-Arts, de Paris, algum "pecúlio" e uma agenda repleta de contatos da nata da elite paulistana da época. Essa é a bagagem do francês Jacques Pilon (1905-1962) quando veio com a família ao Brasil em 1932. Um ano depois, o arquiteto estava com escritório aberto em São Paulo, onde por quase três décadas iria atuar no mercado imobiliário - arquiteto, construtor e investidor -, participando ativamente da construção da metrópole, relata reportagem publicada no site da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo, Fapesp.

Responsável por centenas de projetos - com destaque para os edifícios verticais na região central -, Pilon não foi muito prestigiado na historiografia da arquitetura. Mas a pesquisadora Joana Mello de Carvalho e Silva, professora de História da Arquitetura na Escola da Cidade, descobriu que sua trajetória seria perfeita para estudar o processo de metropolização de São Paulo no século passado, a formação do campo arquitetônico brasileiro e a contribuição dos arquitetos estrangeiros nesses dois processos. Em uma época em que a metrópole buscava se firmar como o principal polo industrial, terciário e financeiro do País, o centro - zona privilegiada dos negócios, da riqueza e do poder - era pensado como o núcleo de representação do progresso e da modernidade metropolitana. E a imagem do arranha-céu sintetizava esse processo, explica Joana.

"Os edifícios verticais idealizados por Pilon e tantos outros vão construir a noção do que é a cidade moderna, dos anos 1930 até os anos 1960. Por isso, a ideia foi vincular urbanização, arquitetura, os tipos de edifícios construídos e como eles vão gerando imagens para a cidade", afirmou Mello, que lança com o apoio da Fapesp o livro O arquiteto e a produção da cidade: Jacques Pilon 1930-1960, pela editora Annablume, em um desdobramento de sua tese de doutorado defendida na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU-USP). Mais informações: www.annablume.com.br/comercio/product_info.php?

O doutorado, por sua vez, integrou um Projeto Temático ("São Paulo, os estrangeiros e a construção da cidade"), encerrado em dezembro de 2011, coordenado pela professora Ana Lúcia Duarte Lanna. O temático agregou ainda outras unidades da USP, como o Departamento de Arquitetura da Escola de Engenharia de São Carlos (que hoje é o Instituto de Arquitetura e Urbanismo), o Museu Paulista e a Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) e parte de seus resultados foi publicado no site homônimo. O doutorado e o temático contaram com apoio da Fapesp.

Um dos eixos que estruturam o livro é justamente a pesquisa sobre o papel dos arquitetos estrangeiros na construção da cidade. "A trajetória do Pilon me possibilitou estudar outros estrangeiros, porque, entre outras coisas, em seu escritório ele abrigou vários deles". Entre os profissionais que foram chefes do escritório do francês em São Paulo estão o alemão Adolf Franz Heep (1902-1978) e o italiano Gian Carlo Gasperini (1926). "Ao estudar esses arquitetos que trabalharam com Pilon, além de outros contemporâneos, consegui montar um panorama. Observei suas estratégias para se inserir profissionalmente e socialmente em São Paulo, quais dificuldades enfrentaram, o que construíram, o que trouxeram de novo para a arquitetura da cidade e em que medida alguns dos conhecimentos eram compartilhados pelos arquitetos nacionais." Um dos edifícios residenciais da fase inicial de Pilon na cidade é o Santo André, na esquina da Angélica com a Rua Piauí, na frente da Praça Buenos Aires, no coração de Higienópolis. Cantos arredondados e linhas horizontais bem marcadas, o edifício foi o segundo a ser erguido no bairro, ainda nos anos 30.

Fonte: Agências