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Jornal Dia Dia

Livro da EdUFSCar aborda a psicologia africana

Publicado em 12 setembro 2019

A Editora da Universidade Federal de São Carlos (EdUFSCar) está lançando o livro “Libertação, descolonização e africanização da psicologia: breve introdução à psicologia africana”, de autoria de Simone Gibran Nogueira, com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). A obra integra a coleção “África e Diáspora”.

A ideia da pesquisa que resultou no livro surgiu de experiências de internacionalização entre Brasil e Estados Unidos em Estudos Negros e Africanos nas áreas de Educação e Psicologia. Esse intercâmbio ocorre no escopo do Núcleo de Estudos Afro-brasileiros (NEAB) da UFSCar, mais especificamente pela colaboração entre Petronilha Beatriz Gonçalves e Silva, docente aposentada e pesquisadora do Programa de Pós-Graduação em Educação (PPGE) da UFSCar, e Joyce E. King, da Universidade do Estado da Geórgia, nos EUA. “Esse processo de internacionalização instigou e alimentou o desenvolvimento da minha pesquisa de doutorado em Psicologia Social. A tese intitulada ‘Psicologia crítica africana e descolonização da vida na prática da capoeira angola’ visou analisar e ressaltar a pertinência e a coerência de utilizar referências da psicologia africana para analisar a prática da capoeira angola e seus impactos na vida dos praticantes. E o livro apresenta os resultados dessa pesquisa”, explica Nogueira.

A obra parte de uma perspectiva crítica sobre a produção de conhecimentos psicológicos. “Denuncia limitações eurocêntricas e o brancocêntricas que estão na origem das ciências psicológicas modernas e hegemônicas. Essa crítica é construída, principalmente, em um diálogo entre referências latino-americanas e africanas. Referências tanto da Psicologia da Libertação latino-americana quanto da psicologia africana apontam que as ciências psicológicas foram aquelas que mais favoreceram a colonização mental de todos os grupos sociais ocidentalizados, colonizadores e colonizados. A psicologia africana busca evidenciar como a ideologia da supremacia racial branca operacionaliza as relações sociais na sociedade hegemônica e impacta a intersubjetividade de todos, no entanto com consequências diferentes para cada um dos grupos sociais”, detalha a autora.

O livro apresenta um breve panorama histórico, político e científico de raiz africana, destacando posturas políticas, resistências culturais e desdobramentos científicos nos Estados Unidos e no Brasil na área de Psicologia. Aborda também as bases filosóficas e epistemológicas da psicologia africana; descreve conceitos e processos filosóficos e psicológicos de raiz africana, que existiam antes da colonização europeia e holocausto negreiro, e que ainda são mantidos em práticas tradicionais do continente e da diáspora americana.

“Este livro tem o objetivo de chamar a atenção de profissionais preocupados com as relações étnico-raciais para a importância de conhecimentos e práticas de raiz africana, que são mantidos no cotidiano do País. Representa um convite e um desafio à psicologia brasileira para atentar às demandas próprias da população afrodescendente, bem como produzir conhecimentos mais coerentes e consistentes com as maneiras afro-brasileiras de lidar com os problemas da vida cotidiana. Sendo assim, este livro não constitui um fim, mas marca um começo, uma abertura num sentido mais plural, inclusivo e dialógico dentro da Psicologia Social brasileira”, finaliza Nogueira.

O lançamento de “Libertação, descolonização e africanização da psicologia: breve introdução à psicologia africana” ocorre no dia 14 de setembro, às 16 horas, na Livraria Tapera Taperá, localizada na Avenida São Luís, 187, no bairro da República, em São Paulo. Mais informações sobre o livro podem ser obtidas no site da EdUFSCar (www.edufscar.com.br).