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Revista Museu

Livro aborda evolução de bonecos e objetos no teatro

Publicado em 10 maio 2011

SÃO PAULO, São Paulo - Gênero teatral que utiliza bonecos, objetos e máscaras para representar pessoas, animais ou ideias abstratas, o teatro de formas animadas tem raízes em antigas tradições dramáticas, tanto no Ocidente como no Oriente. Em suas formas contemporâneas, essas técnicas que permitem dar vida a objetos inanimados no palco ganharam uma nova dinâmica de caráter vanguardista.

A evolução desse gênero ao longo da história do teatro é o tema do livro Teatro de Formas Animadas: Máscaras, Bonecos, Objetos , de Ana Maria Amaral, professora aposentada da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da Universidade de São Paulo (USP).

Lançado em 1993, o livro, que se tornou referência central na bibliografia brasileira de estudos cênicos, estava esgotado e acaba de ganhar uma nova edição, pela Editora da USP (Edusp).

Amaral também é autora de O Teatro de Bonecos no Brasil e em São Paulo de 1940 a 1980 (1994), O Teatro de Marionete no Brasil , Teatro de Animação (1997) - que teve apoio da FAPESP na modalidade Auxílio à Pesquisa - Publicações - e O Ator e seus Duplos (2002).

Além dos levantamentos documentais, as pesquisas que deram origem ao livro têm base em sua própria vivência profissional desde a década de 1970. Dramaturga, Amaral é diretora do Grupo O` CASULO - BonecObjeto, um grupo de pesquisa sobre novas expressões cênicas ligadas ao trabalho do ator com objetos, imagens, bonecos e máscaras.

"O livro é resultado de uma somatória de experiências como observadora e profissional, no Brasil e no exterior. Ele continua sendo uma referência básica, porque não há praticamente nada em português sobre o tema. Nos últimos cinco anos, no entanto, foram defendidas algumas teses sobre dramaturgia e teatro de bonecos - algumas delas orientadas por mim", disse à Agência FAPESP.

Além de traçar um panorama geral da história do teatro de formas animadas, o livro traça também os rumos desse gênero em todo o mundo. "Eu mesma me afastei do teatro de bonecos tradicional e trabalho muito mais com imagem. No livro, além de traçar a história do gênero, procurei refletir sobre os novos caminhos do teatro de animação", disse Amaral.

Segundo ela, o teatro de bonecos tradicional era predominantemente antropomórfico. Hoje, ainda que a imagem antropomórfica não seja excluída, ela não está mais no centro. No chamado "teatro pós-dramático", os símbolos dominaram a cena.

"Uma pedra com um perfil humano, de uma anciã, pode ser usada para representar o eterno e o imutável, por exemplo. Ou uma atriz pode contracenar com pedaços de espelhos partidos, para remeter à ideia de rupturas", disse, referindo-se a cenas de seus próprios espetáculos.

Segundo a autora, o teatro pós-dramático utiliza todos os elementos do teatro de animação, mas enfatiza a carga poética dos recursos visuais. "Podemos usar máscaras, ou transparências. Podemos utilizar partes para remeter ao todo: um olho, ou uma mão, um corpo decepado. A poesia substitui as conclusões racionais", disse.

O teatro de animação está ligado a uma vanguarda cênica iniciada no início do século 20. "Em meio a um conjunto de elementos híbridos, surgia uma nova concepção de dramaturgia que não se expressa através do racional, mas, dentro de uma temática dada, procura despertar o inconsciente pelas imagens, tocando mais a emoção", disse Amaral.

Teatro de Formas Animadas: Máscaras, Bonecos, Objetos

Autor: Ana Maria Amaral

Lançamento: 2011 (4ª edição)

Preço: R$ 69

Páginas: 320

Mais informações: www.edusp.com.br

Fonte: Agência FAPESP - Fábio de Castro