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Litoral de São Paulo será estudado

Publicado em 19 abril 2010

Por Isabel Gardenal

Na área de população e ambiente, que existe há mais de duas décadas no Nepo, a mudança climática adquiriu um papel bastante destacado sobretudo nos últimos quatro anos. O Núcleo reúne uma série de sete iniciativas mais pontuais que se reforçam mutuamente. Entre elas, sobressaem no momento, além do projeto de vulnerabilidade às mudanças climáticas no Rio de Janeiro e em São Paulo, um grande projeto apoiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) dentro do Programa Fapesp de Pesquisa sobre Mudanças Climáticas Globais que esta agência de fomento criou no ano passado. O projeto, que está detalhado no site do Núcleo, aborda o crescimento urbano, vulnerabilidade e adaptação às mudanças climáticas no litoral de São Paulo, com suas dimensões ecológica e social.

O projeto da Unicamp é um dos dez selecionados na primeira fase. Está sediado no Núcleo de Estudos e Pesquisas Ambientais (Nepam) e é uma atividade conjunta com o Nepo. Está ligado tanto às análises por pesquisadores da área de Demografia quanto às áreas de políticas públicas, antropologia e ecologia, com participação, como pesquisadores principais, do professor Carlos Joly, do Instituto de Biologia (IB) da professora Leila da Costa Ferreira, do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH), e da professora Lúcia da Costa Ferreira (Nepam), além de duas dezenas de doutores de várias instituições, entre elas Univap, Unifesp, FJP/MG, Embrapa e UFSCar.

O estudo busca identificar as vulnerabilidades nas pequenas cidades do litoral de São Paulo, principalmente do litoral Norte, local que deve ser atingido antes e com mais vigor e dramaticidade pelas mudanças climáticas do que outras regiões. Este projeto tem duração de quatro anos e envolve trabalho de campo, ocorrendo num momento em que grandes transformações estão havendo no litoral, basicamente no campo do petróleo e do gás natural, da extração e do transporte dos produtos do gás e do petróleo offshore, que poderão ter um grande impacto na região.

Entre os seus objetivos estão os de avaliar quais são as capacidades de adaptação dos governos locais, até que ponto eles temem o que poderá acontecer e como estão preparados para as mudanças, se é que estão. Iss envolve também um lado de entender como a população, não somente os governos municipais e outros órgãos, está compreendendo os problemas e como se sente atingida por eles, ou não. E, se sente atingida, como pensa que vai se proteger e reagir a esses impactos e mudanças, quando ocorrerem, comenta Hogan. O projeto envolve cerca de 20 doutores e 20 alunos de pós-graduação.

Uma segunda atividade coordenada por Carlos Nobre está relacionada ao Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia para Mudança Climática (INCT-MC), que é sediada no Instituto de Pesquisas Espaciais (Inpe). Um dos 20 subprojetos é liderado também por Hogan. Em 2010, iremos estudar as regiões metropolitanas de Belém, Recife, Belo Horizonte e Curitiba, conta.

Estes projetos desenvolvidos no Nepo são denominados Dimensões humanas das mudanças climáticas, dentro da ciência do clima, um campo dominado pelos físicos, pelos cientistas do clima, da atmosfera e dos oceanos. Como contém tanto o lado da população impactar e sofrer os impactos dessas mudanças, é preciso que as Ciências Humanas tenham uma inserção decisiva no processo, apesar de não ser esta a sua tradição. Estas atividades do Nepo nos últimos anos são pioneiras neste sentido e já se idealiza a criação de um novo campo de estudos do clima no contexto das Ciências Humanas.

Jornal da Unicamp/EcoAgência