Notícia

Galileu

Linguagem de macaco brasileiro é parecida com a humana

Publicado em 14 março 2003

Pacíficos e carinhosos, os muriquis (Brachyteles arachnoides) se comunicam de um modo muito parecido com o da linguagem humana. Foi o que descobriu o antropólogo Francisco Dyonísio Cardoso Mendes, da Universidade Católica de Goiás, após analisar 138 horas de gravações feitas na Mata Atlântica entre 1990 e 1991. Mendes foi orientado pelo professor de psicologia experimental da USP César Ades, um dos principais etologistas (especialista em comportamento animal) do Brasil. Os muriquis (também conhecidos como mono-carvoeiros, por causa de sua cara escura, como de quem trabalha com carvão) sempre impressionaram os cientistas por viverem em comunidades onde o líder não é o mais forte, mas o mais querido, e onde não há disputas pelas fêmeas, que acasalam sem problemas com todos os machos. O que o trabalho de Mendes mostrou agora é que a sociedade desses primatas é ainda mais avançada, possuindo um vocabulário com cerca de 38 chamados básicos. Os sons emitidos pelos muriquis são utilizados em momentos específicos, alguns na hora das brincadeiras, outros para alertar perigos. Os que mais chamaram a atenção do pesquisador, entretanto, foram os chamados utilizados na hora da locomoção. Sem poder enxergar o companheiro em meio à mata, um muriqui chama e menos de 10 segundos depois, o outro responde, como se esperasse o companheiro acabar de falar. Ameaçados de extinção pela devastação da Mata Atlântica, os muriquis são hoje pouco mais mil exemplares. Os pesquisadores acreditam que entender a comunicação entre eles pode ser ajudar a preservar a espécie.