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Língua portuguesa deve atrair mais interesse dos japoneses

Publicado em 25 setembro 2012

O aumento do contato direto de japoneses com brasileiros nos últimos anos, em função de fatores como a globalização e o destaque que o Brasil vem ganhando no cenário mundial, podem voltar a despertar o interesse pelo ensino e aprendizagem da língua portuguesa no Japão.

A avaliação foi feita por Akira Kono, professor de língua portuguesa e linguística na Escola de Letras e Cultura da Universidade de Osaka, no Japão, durante uma conferência que proferiu, na semana passada, no auditório da Fapesp, sobre o ensino da língua portuguesa no Japão.

De acordo com o pesquisador, o contato dos japoneses com a língua portuguesa ocorreu em três diferentes etapas, que se traduziram em influências tanto no idioma estrangeiro quanto no nativo. O primeiro contato ocorreu em 1543, com a chegada de missionários jesuítas portugueses na ilha de Tanegashima, no sul de Kiushiu, que foram ao País com o intuito de disseminar o catolicismo pela região.

Durante esse período, os jesuítas portugueses realizaram estudos sobre a língua japonesa e publicaram livros, como a "A Arte da Lingoa de Iapam" e a "Arte Breve da Lingoa Iapoa", escritos pelo padre João Rodrigues Girão e publicados, respectivamente, em 1608 e 1620. "Já nesta primeira etapa do contato entre os japoneses e portugueses houve uma certa influência entre as duas línguas", disse Kono.

A segunda etapa do contato dos japoneses com a língua portuguesa, segundo Kono, aconteceu no Brasil, em 1908, com a primeira fase da imigração japonesa no País, encerrada em 1941, quando o Japão ingressou na Segunda Guerra Mundial.

Uma das maiores potências mundiais na época, o Japão vivia ao mesmo tempo graves problemas sociais e econômicos, como o desemprego elevado e as condições de pobreza no campo. Em função disso, o País enfrentava críticas de segmentos da sociedade que não concordavam com a forma com que vinha se desenvolvendo, conquistando países à força, como fez no período conhecido como imperialista, quando invadiu a Coreia, a Manchúria e parte da China.

Uma das alternativas identificadas para continuar a crescer pacificamente era por meio da imigração. Por essas e outras razões, o governo japonês decidiu encampar políticas de imigração de seus cidadãos para países como o Brasil, que precisava de mão de obra para as lavouras de café.

"Os primeiros imigrantes japoneses que chegaram ao Brasil não vieram bem preparados e não sabiam português. Mas, pouco a pouco, começaram a assimilar palavras portuguesas na língua japonesa que falavam na colônia e eram mais relacionadas ao trabalho agrícola que faziam, como enxada e camarada", disse Kono.

De acordo com o pesquisador, só quase oito anos depois do início da imigração japonesa para o Brasil foi criado, em 1916, o primeiro curso de graduação em língua portuguesa pela Universidade de Estudos Estrangeiros de Tóquio. "Eu acho que, naquela época, as autoridades japonesas ainda não tinham reconhecido a importância da língua portuguesa para suas relações exteriores".

Em 1964, a Universidade Sophia de Tóquio, criou um departamento de português, fundado por padres brasileiros, onde Kono ingressou em 1967 e iniciou seus estudos do idioma falado no Brasil. No mesmo ano, a Universidade de Estudos Estrangeiros de Kyoto também estabeleceu um Departamento de Estudos Lusos-Brasileiros para ensinar português aos japoneses.

Atualmente, de acordo com o pesquisador, a Universidade de Osaka oferece 30 vagas por ano para o curso de graduação em língua portuguesa, que tem duração de quatro anos. Além de língua portuguesa, o departamento de línguas da universidade japonesa também é voltado ao estudo e ensino de mais 24 idiomas.