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Líderes das melhores empresas de capital aberto revelam caminhos para evolução

Publicado em 26 outubro 2015

Por Andrea Carneiro

Best Firm Index (BFI-100) elaborado pela Delta Economics & Finance em parceria com a AméricaEconomia é uma avaliação sobre as práticas das melhores empresas brasileiras e a maneira como se relacionam com investidores, acionistas, parceiros e como se inserem na sociedade. Após a elaboração, conversamos com as melhores colocadas no ranking, para que relatassem as suas percepções em relação aos temas avaliados e aos resultados.

A BRF, primeira colocada, relaciona o resultado à estratégia acertada da empresa nos últimos anos e a um conjunto de iniciativas, muitas passando pelos critérios analisados no levantamento. Um deles é o da inovação e qualidade. “A cadeia tem como característica ser inovadora, sempre com novos conceitos e produtos no mercado.

E isso temos recuperado agora principalmente com a volta da Perdigão, porque temos a possibilidade de conseguir ser ainda mais inovadores do que vínhamos sendo no passado. Algumas linhas que lançamos durante o ano têm inovação de embalagem, como as de assados e marinados e com cortes diferentes ou pedaços de frango congelados individualmente. Esse é um outro enfoque importante dentro da BRF”, afirma Agnes Querido, gerente de Relações com Investidores da empresa. Ela considera ainda que há um espaço muito grande para inovar no Brasil e fora dele, principalmente em termos de customização, com produtos característicos dos mercados locais.

A Embraer, segunda colocada no ranking e destaque no quesito inovação e qualidade, informa que o tema está na essência e nos valores básicos da empresa desde sua criação. Essa importância é comprovada pelo fato de 46% da receita da companhia vir de novos produtos, ou seja, aqueles desenvolvidos ou significativamente melhorados nos últimos cinco anos. “Por competirmos com grandes empresas globais, somos demandados por uma exigência contínua de diferenciação e inovação em produtos, processos, modelos de negócio e mecanismos de relacionamento com os clientes”, informa a assessoria de imprensa da empresa.

O tema consome entre 4,5% e 5,5% do faturamento anual, e se aplica em todos os níveis, desde o estratégico até o operacional, como parte da cultura e valores organizacionais. A empresa cita como exemplo a família E-Jets E2. Esta tem a missão de manter a liderança da Embraer no segmento de 70 a 130 assentos. “Mesmo estando em fase de desenvolvimento, esse produto tem conseguido vendas significativas devido à expectativa positiva de desempenho que o mercado tem em relação aos nossos produtos”, diz a companhia.

Na quinta colocação geral, a Braskem obteve uma das notas mais altas no quesito e diz que a inovação é um dos principais pilares do crescimento, e sempre contará com investimentos focados e iniciativas consistentes. O recurso anual em pesquisa e desenvolvimento chega a R$ 230 milhões, feitos tanto em profissionais especializados, capazes de lidar com processos de alta complexidade de gestão e tecnicidade, quanto em novos equipamentos e instalações.

A empresa conta com uma equipe de 300 profissionais dedicada à pesquisa e ao desenvolvimento de produtos, além de dois Centros de Inovação e Tecnologia, localizados em Triunfo (RS) e em Pittsburgh (Pennsylvania), e 23 laboratórios. Tem ainda 850 documentos de patentes depositados no Brasil e no exterior e 260 projetos no pipeline de inovação e tecnologia para atender às diferentes áreas de negócios.

Sexta colocada, a Duratex investiu R$ 41,6 milhões em inovação em 2014. Como forma de desenvolvê-la, criou em 2012 o Programa Imagine, com workshops para os colaboradores, como forma de disseminar a cultura inovadora e em contrapartida receber ideias e sugestões seguindo cinco dimensões: produtos, processos, novos negócios, organizacional e marketing. Até dezembro de 2014, foram 2.070 sugestões.

A companhia possui um centro de pesquisa para a Divisão Madeira, buscando aprimorar a produtividade florestal por meio de desenvolvimento de mudas. A Divisão Deca tem seu centro de pesquisa ligado à criação e design de novos produtos. “Há também a Ouvidoria, canal adicional de diálogo com o público, e também a instância formal para o recebimento de denúncias sobre desacordo com os valores e Código de Ética e Conduta da empresa”, explica o diretor de Relações com Investidores, Flavio Donatelli.

Para fora

Um dos pontos centrais colocados pelas companhias é o direcionamento para o mercado estrangeiro diante da retração da economia brasileira. A primeira colocada no ranking passou por um processo de reestruturação e está focada em se tornar uma empresa global. Detentora das marcas Sadia, Perdigão e Qualy, é uma das maiores empresas de alimentos do mundo, com cerca de 100 mil funcionários, 34 unidades industriais no Brasil, nove fábricas no exterior (seis na Argentina, uma no Reino Unido, uma na Holanda e uma no Emirados Árabes) e mais de 20 centros de distribuição.

Atualmente, exporta para mais de 120 países. “Tomamos um série de medidas tanto no mercado brasileiro quanto nos internacionais. Por um lado, temos a visão de internacionalizar, de olho nos emergentes, mas ao mesmo tempo continuamos investindo muito no mercado doméstico. Na América Latina, temos uma participação grande no mercado argentino e fizemos investimentos importantes recentemente”, coloca Querido.

De acordo com a executiva, no Brasil a expectativa é que a Perdigão reconquiste o espaço perdido durante os anos em que foi obrigada pelo Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) a ficar fora do mercado após a fusão com a Sadia. “Agora, temos duas marcas que conseguem atender melhor a necessidade de todos os públicos. O objetivo é que a Perdigão recupere a posição que tinha e cresça”, pontua.

A Duratex está discutindo o incremento das receitas externas, basicamente pelo aumento das exportações, para diminuir a dependência do interno e também aproveitar a desvalorização cambial. “O objetivo é ter nos próximos anos mais de 25% da receita vindo de fora do país, considerando exportação mais receita gerada pela Tablemac, empresa adquirida na Colômbia em 2012”, diz Donatelli.

Na mesma corrente, em 2015, a Braskem tem aumentado sua atuação nos mercados das Américas e da Europa com produção no Brasil, nos Estados Unidos e na Alemanha. Para 2016, entra em operação o complexo industrial no México da Braskem Idesa, principal investimento na indústria petroquímica mexicana em mais de uma década. “Além de grande mercado interno consumidor, o México mantém acordos de livre comércio com mais de 40 países, o que facilitará o acesso da empresa a esses mercados.

Trata-se de um investimento superior a US$ 5 bilhões, iniciado em 2011”, diz Luciano Guidolin, vice-presidente de Poliolefinas, Vinílicos e Renováveis da Braskem. É claro que o olhar para fora tem a ver com os efeitos sentidos pela desaleração do Brasil, contra a qual as companhias têm tomado medidas. A Duratex iniciou, com a contratação da consultoria Falconi, o Sistema de Gestão, que inclui mais de 300 macroações em diversas áreas visando à diminuição de custos e aumento da eficiência.

A Embraer revisou algumas de suas projeções. A fim de refletir os efeitos da recente desvalorização do real frente ao dólar, a companhia mudou sua estimativa de receita líquida consolidada para 2015, que deverá ficar entre US$ 5,8 e US$ 6,3 bilhões (anteriormente estava entre US$ 6,1 e US$ 6,6 bilhões). A margem operacional (EBIT) do ano deverá atingir 8,5% a 9,0% (antes era de 8,0% e 8,5%) e a margem EBITDA deve variar de 12,6% a 13,6% (antes estava entre 12,0% a 13,0%). A empresa, porém, reitera suas estimativas anuais de lucro operacional (EBIT) e EBITDA de US$ 490 milhões a US$ 560 milhões e US$ 730 milhões a US$ 850 milhões, respectivamente.

No Brasil, apesar dos impactos negativos do cenário econômico, a Braskem inaugurou um investimento de R$ 50 milhões em expansão de capacidade de produção de resinas especiais de polietileno na unidade da Bahia. “Conseguimos avançar na prioridade de assegurar a competitividade de custos ao fechar a negociação para a renovação do contrato de energia com a Chesf, viabilizando as operações eletrointensivas na região Nordeste. Continuamos também com prioridade na renovação do contrato de fornecimento da matéria-prima nafta pela Petrobras, em bases competitivas e permanentes. Disso depende toda a continuidade das operações da indústria petroquímica e seu desenvolvimento em bases sólidas, garantindo a possibilidade de ampliar os investimentos de longo prazo”, explica Guidolin.

Administração

De acordo com Querido, na BRF a governança corporativa é tratada como item básico. Ela vê uma evolução no relacionamento com os investidores nos últimos anos, que têm procurado cada vez mais a empresa, e na efetividade da estrutura do Conselho de Administração (CA). Ela cita como exemplo a maioria dos membros ser independente. “Temos uma grande base de acionistas e valorizamos as melhores práticas. A ética é um valor que permeia todo o negócio da BRF”, observa.

Os comitês de assessoramento também se constituem órgãos importantes para auxiliar o trabalho do CA. A Duratex possui cinco, entre eles o de Auditoria e Gerenciamento de Riscos. Além disso, está aprimorando seu modelo de gestão com a criação de comissões, para auxiliar o trabalho do Conselho de Administração e Diretoria Executiva. “O CA sempre foi muito presente e ativo. Com a atual situação econômica a companhia está se adaptando e iniciando grandes projetos internos e o Conselho tem sido cada vez mais presente e com um papel importante para possibilitar essa mudança”, explica o diretor de Relações com Investidores. A Duratex publicou sua Política Anticorrupção, seu Código de Ética está em revisão, e está realizando treinamentos desse tema com seus colaboradores.

Desde sua privatização, em 1994, a Embraer passou por uma série de transformações, visando robustecer a governança corporativa, o que resultou em 2006 na adesão ao círculo de companhias do Novo Mercado da BM&FBovespa. Segundo a empresa, o Conselho de Administração passa por uma avaliação formal, que permite identificar eventuais carências na atuação dos conselheiros e do Conselho, e torna as reuniões mais produtivas e eficientes, dado o alto grau de adequação dos conselheiros ao perfil da companhia. “A transparência e o pensamento na perenidade são especialmente críticos na indústria aeronáutica, que, por sua natureza, tem projetos de longa duração, com investimentos intensivos em capital e retorno de longo prazo”, informa a assessoria.

Meio ambiente

“Desde sua criação, a sustentabilidade é transversal à Braskem. faz parte, portanto, de nossa estratégia de negócios”, explica Guidolin. Na prática, isso quer dizer que a empresa investe em Pesquisa e Desenvolvimento para reduzir os impactos ambientais tanto de suas operações quanto de seus produtos, usando recursos de forma eficiente.

A petroquímica diz estar avançada na adoção de uma gestão de negócios que promova a sustentabilidade de forma abrangente e concreta ao definir dez macro-objetivos a serem cumpridos até 2020 nos pontos de maior atenção, como recursos renováveis e eficiência hídrica. Com o Plástico Verde, produzido a partir de cana-de-açúcar, a empresa caminha para ser uma importante sequestradora de carbono devido ao uso de matérias-primas renováveis.

Na BRF, o crescimento sustentável é inerente aos negócios. “Temos uma cadeia de valores muito grande. é importante que todos os elos tenham apoio porque é uma relação de interdependência”, diz a gerente de Relações com Investidores da companhia.

Já a Duratex tem uma política ambiental que está sempre em revisão e aprimoramentos. “A empresa busca a sustentabilidade de seus negócios em todas as divisões que atua, participando na gestão responsável dos aspectos ambientais inerentes à natureza e escala de cada uma de suas unidades. Também temos trabalhado em relacionamento com as comunidades vizinhas, investindo em ações sociais, ambientais e culturais”, diz Donatelli.

Uma das questões centrais na Embraer é o desenvolvimento, produção e comercialização de biocombustíveis sustentáveis para aviação no Brasil. “A Embraer e a Boeing, em parceria com a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), têm se dedicado, por meio de estudos, e confirmado o potencial do Brasil em gerar e fornecer biocombustíveis de aviação para os mercados doméstico e internacional, ajudando o mundo a aliviar sua dependência de combustíveis fósseis na aviação, graças à larga experiência do país em bioenergia”, informa a fabricante de aviões.

Pessoas

Uma série de pro­gramas de for­mação é re­a­li­zada com re­gu­la­ri­dade pela Braskem, que in­vestiu R$ 25 mi­lhões em edu­cação de pes­soas ao longo de 2014. Já a Duratex possui políticas de capacitação para estimular o desenvolvimento profissional. Outro ponto muito valorizado pela empresa, o recrutamento interno foi fortalecido para oferecer mais oportunidades de desenvolvimento aos colaboradores.