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Jornal da USP online

Lembranças do velho IBM 1620

Publicado em 28 setembro 2015

Por Thiago Castro

No dia 21 de setembro, foi lançado na Escola Politécnica da USP o livro Do Cartão Perfurado à Nuvem – História do Centro de Computação Eletrônica da USP. A obra conta a trajetória dos 53 anos daquele centro, desde a chegada do primeiro computador, em 1962, até os dias atuais, passando pela implantação da internet e os desafios da informática do século 21.

A obra foi idealizada pelo professor Jaime Simão Sichman e sua equipe. “Em 2012, quando era diretor do CCE, eu me dei conta de que estávamos festejando 50 anos da chegada do primeiro computador na USP”, comenta Sichman. “Ele foi o embrião da criação do centro e queríamos lançar um livro contando sua história naquele ano.”

Devido à falta de patrocínio, o projeto foi adiado para 2014, com a intenção de aproveitar a comemoração dos 80 anos da USP. “Nesse meio tempo, houve uma reorganização da área de tecnologia da informação da USP, e só conseguimos patrocínio agora, quando juntamos as condições necessárias para isso”, acrescenta Sichman.

A obra é uma coletânea de depoimentos feitos em 2002 e atuais, utilizando como linha do tempo as evoluções tecnológicas marcantes que ocorreram no centro. Com edição limitada, a distribuição será feita para os dirigentes da Universidade e para professores e pesquisadores de centros de informática corporativa de outras universidades do País.

Relógio de pulso – Como relatado em Do Cartão Perfurado à Nuvem, o primeiro computador a chegar na USP, em 1962, foi um IBM 1620, que custou cerca de US$ 100 mil na época. Em valores atuais, estima-se que esse valor estaria por volta de R$ 1 milhão. Ele tinha 20 mil dígitos decimais, o que hoje é superado por qualquer relógio de pulso. Foi o primeiro computador instalado em uma universidade paulista e o segundo em universidades brasileiras.

Todo esse investimento deu origem ao Centro de Cálculo Numérico (CCN), que ficou subordinado à cátedra de Cálculo Diferencial e Integral: Cálculo Vetorial, da Escola Politécnica. Nessa fase inicial, o então CCN funcionava de maneira quase informal e suas atividades eram baseadas no computador recém-adquirido. A mão de obra era formada por estagiários, selecionados entre os melhores alunos e convidados para trabalhar no centro.

Com o passar do tempo, as atividades do centro já não estavam mais restritas à disciplina Cálculo Numérico. A novidade de usar os serviços do primeiro computador da USP atraiu pesquisadores de outras áreas, que usavam a máquina para suas pesquisas. “Era um lugar bastante livre e aberto”, comenta o professor Valdemar Setzer, um dos fundadores do CCE. “Priorizava-se em primeiro lugar a pesquisa, e daqui saíram importantes docentes e pesquisadores do País.”

Foi Setzer quem, em 1966, rebatizou o Centro de Cálculo Numérico, denominando-o Centro de Computação Eletrônica, para dar um sentido mais amplo das atividades do setor e utilizando a palavra “eletrônica” para diferenciá-la da computação mecânica. Nessa época, desenvolveram-se importantes pesquisas e trabalhos, como o cálculo das vigas do Museu de Arte de São Paulo (Masp), que depois se tornou padrão em todos os escritórios de engenharia do País.

Internet – A internet também foi outro grande marco na história do centro. Em meados da década de 1980, foi instalada a bitnet, precursora da internet. Uma ligação foi estabelecida através da Fapesp e um laboratório de física dos Estados Unidos. A partir de então, pesquisadores da Universidade começaram a se comunicar com colegas do exterior. Já a internet, como é conhecida hoje, surgiu na segunda metade da década de 90, sendo a USP também uma de suas pioneiras no País.

Em 1971, em razão da Reforma Universitária, o Centro de Computação Eletrônica passou a se subordinar à Reitoria, com o objetivo de dar condições ao trabalho de processamento de dados administrativos e de registros acadêmicos, e também para concentrar os recursos orçamentários e formar um grande centro de computação. Até 1988, foi dirigido por uma comissão supervisora, formada por docentes e servidores, e um diretor executivo. Essa comissão foi dissolvida e o CCE passou a ser uma unidade autônoma, como Coordenadoria de Informática da USP, sendo dirigida então por um coordenador.

Em 2013, os Centros de Informática dos campi do interior, o CCE e o Departamento de Informática (DI) da Coordenadoria de Administração Geral (Codage) se fundiram em um único órgão, o Departamento de Tecnologia da Informação (DTI), subordinado à então Vice-Reitoria Executiva de Administração. Em dezembro de 2014, a Superintendência de Tecnologia da Informação (STI) foi reestruturada e absorveu as atribuições do DTI, que deixou de existir, para consolidar a nova estrutura organizacional da tecnologia da informação da USP.

O evento de lançamento do livro, no dia 21 de setembro, contou com a presença de ex-diretores do CCE e de dirigentes da Universidade, como o diretor da Escola Politécnica, José Roberto Castilho Piqueira, e o vice-reitor Vahan Agopyan. Durante a apresentação do livro, foram homenageados pesquisadores que contribuíram para a formação e a consolidação do centro e também da informática brasileira.