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Brasil Econômico

Lemann quer formar futuros ministros do país

Publicado em 08 setembro 2011

Por Regiane de Oliveira

É consenso que o Brasil precisa de bons engenheiros, cientistas, economistas, médicos, em suma, mais cérebros para colocar em prática novos projetos para o desenvolvimento do país. Para a Fundação Lemann, no entanto, a urgência destes profissionais está não só em suas áreas tradicionais de trabalho, mas especialmente para acelerar as transformações da educação no Brasil. É pensando nisso que a fundação criada pelo empresário Jorge Paulo Lemann, um dos controladores da Ambev e na invejada posição de segundo homem mais rico do país, atrás apenas do empresário Eike Batista, segundo a revista Forbes, vai inaugurar no próximo ano o primeiro centro internacional de estudos dedicado à educação brasileira, na universidade americana Stanford. "A ideia é formar uma nova geração de profissionais da educação no país e incentivar a pesquisa de políticas inovadoras, que nos façam avançar mais rápido", afirma Denis Mizne, diretor executivo da Fundação Lemann. "Serão os secretários e ministros de educação do futuro", ressalta o brasileiro Paulo Blikstein, engenheiro e especialista de educação, que juntamente com o professores Eric Bettinger, Martin Carnoye David Plank, especialistas em políticas de educação em países da América Latina, vai coordenar o Centro Lemann para o Empreendedorismo e Inovação na Educação Brasileira.

O objetivo é oferecer bolsas de estudos de pós-graduação para apoiar a formação de professores e também de interessados em pesquisar e desenvolver políticas inovadoras para educação do país. O desafio não é simples. "Discutimos muito o que fazer na educação básica, e é claro que ela é importante. Mas temos que pensar o que fazer depois do básico. O Brasil é um dos últimos países em número de patentes per capita e um jeito de melhorar este indicador é ter uma educação que forme pessoas que coloquem ideias em prática", diz Blikstein.

Os pesquisadores querem trazer à tona uma questão ainda pouco discutida no país: projetos de ensino de prateleira, mesmo que testados com sucesso em outros países, dificilmente terão o mesmo resultado no Brasil. Por isso, não adianta importar modelos. "Inovação na área educacional é algo que falta em todo mundo. Isto porque ainda temos que mudar a mentalidade de que se pode resolver os problemas do ensino com uma só solução", explica Carnoy. Para ele, é da interdisciplinaridade de onde sairão as soluções. "É uma vergonha o país de Paulo Freire, um educador conhecido mundialmente, ter um ensino ruim. Ele não gostaria que ficássemos só debatendo suas ideias, temos de criar ideias novas", avalia Blikstein.

Mas uma das dificuldades em inovar na área educacional é exatamente a dificuldade de testar modelos. "É um tipo de pesquisa difícil, pois não se pode fazer experimentações, temos que criar novos métodos para avaliar de forma rigorosa se determinados modelos estão dando certo", ressalta. Por isso, é importante que o investimento no centro seja de longo prazo. "Em dez anos poderemos fazer muita coisa boa", ressalta Carnoy, em relação ao prazo de financiamento do centro assinado pela Fundação Le-mann com Stanford.

Bolsas

A fundação já conta com o programa de bolsas Lemann Fellowship, que busca contribuir para a formação de capital humano qualificado em áreas cruciais para o desenvolvimento do Brasil. No período letivo 2011-2012, 27 estudantes estão recebendo bolsas de estudos para estudar em Harvard, Columbia, Stanford, Illinois e Yale. Além de bolsas do programa Brazilian Scholars, voltado para alunos de graduação que já mostram vocação acadêmica e estudam literatura, história e ecologia. Desde 2006, o programa contou com 72 bolsistas de pós-graduação.

Cooperação internacional ainda falha no Brasil

Ocorre mundialmente um processo de intensificação da cooperação entre universidades e empresas para atuação conjunta na área de pesquisa. O Brasil tem mostrado indicadores dúbios quanto ao tema, alguns positivos, outros nem tanto. Relatório recente da britânica Royal Society, por exemplo, aponta que o país tem se tornado uma potência científica. Contudo, mostra também que de 1996 para 2008,

o Brasil viu reduzir de 35% para 27% a realização de artigos em coautoria com pesquisadores estrangeiros. "É relevante observarmos este dado porque a tendência é contrária ao que se vê em outros países", diz o diretor da Fapesp, Carlos Henrique de Brito da Cruz. Na Alemanha, o índice passou de 32% para 47% no mesmo período de comparação, enquanto na Itália, a alta foi de 27% para 40%. Claudia Bredarioli