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Observatório da Imprensa

Leituras e releituras de grandes obras

Publicado em 12 janeiro 2010

Por José Aloise Bahia

Freud: a conquista do proibido, de Renato Mezan, Ateliê Editora, São Paulo, SP, 2003, 164 pp., R$ 25,00; Poesia Eletrônica: negociações com os processos digitais, de Jorge Luiz Antonio, Fapesp, Itu, SP; Editora Veredas & Cenários, Belo Horizonte, MG, 2008, 200 pp., R$ 30,00; O guesa, de Joaquim de Sousa Andrade, Editora Demônio Negro, São Paulo, SP, 2009, 382 pp., R$ 75,00; Como deixei de ser Deus, de Pedro Maciel, Topbooks Editora, Rio de Janeiro, RJ, 2009, 150 pp., R$ 29,00; A Grande feira: uma reação ao vale-tudo na arte contemporânea, de Luciano Trigo, Editora Civilização Brasileira, Rio de Janeiro, RJ, 2009, 240 pp. + 16 de Encarte Colorido, R$ 34,90; Reduchamp, de Augusto de Campos e Julio Plaza, Editora Demônio Negro, São Paulo, SP, 2009, 70 pp., R$ 40,00; Kafka e a marca do corvo, de Jeanette Rozsas, Geração Editorial, São Paulo, SP, 2009, 186 pp., R$ 26,00; Kiryrí Rendáua Toribóca Opé: Humberto Mauro revisto por Ronaldo Werneck, de Ronaldo Werneck, Editora Arte Paubrasil, São Paulo, SP, 2009, 450 pp., R$ 69,90; Calúnia: Elisa Lynch e a Guerra do Paraguai, de Michael Lillis e Ronan Fanning, tradução do inglês por Marisa Paro, tradução do espanhol de Declaração - Protesto que faz Elisa A. Lynch, por Silvana Cobucci Leite, Editora Terceiro Nome, São Paulo, SP, 2009, 312 pp., R$ 48,00; Nina, roteiro de Cristina Judar e Arte de Bruno Auriema, Editora Estação Liberdade, São Paulo, SP, 2009, 80 pp., R$ 35,00; Euclidianos e Conselheiristas: um quarteto de notáveis, org. Walnice Nogueira Galvão, Editora Terceiro Nome, São Paulo, SP, 2009, 120 pp., R$ 29,00; Tribo do Mouse: histórias, dicas e truques do mundo corporativo, de João Paulo Reginatto, Juarez Poletto Junior e Ulisses Ponticelli Giorgi, Editora Fábrica de Livros, Porto Alegre, RS, 2009, 224 pp., R$ 34,00.

 

Setenta anos após a sua morte, relembrada em 23 de setembro de 2009, Freud (1856-1939) continua sendo uma referência básica na História Universal. Escrevendo a seu amigo e confidente, o médico alemão Wilhem Fliess (1858-1928), entre 1887 e 1902 (período em que Freud fez as suas descobertas fundamentais. As cartas foram resgatadas - pagas - pela princesa grega Maria Bonaparte, grande amiga, admiradora de Freud e defensora da psicanálise. Ela ajudou também na retirada da família de Freud, durante a ocupação nazista em Viena, Áustria), observa: "Não sou um médico, nem um cientista. No fundo, sou um conquistador, com todas as características deste tipo de pessoa". Alguns leitores podem levantar a eterna lebre: o que ele conquistou? De que maneira? Com certeza, muitos sabem parte da primeira questão: o proibido, a sexualidade, o reprimido e o inconsciente. Uma resposta mais consistente, suplementar e de qualidade para as duas perguntas é a leitura do renovado Freud: a conquista do proibido (Renato Mezan, Ateliê Editora, São Paulo, SP, 2003, 164 Páginas, R$ 25,00), boa fonte de esclarecimentos.

Com informações biográficas, o professor titular da PUC/SP, pesquisador, escritor e também psicanalista Renato Mezan escreveu um breve estudo ricamente sustentado por interpretações e referências bibliográficas que vai de Gunnar Brandel, Cornelius Castoriadis, Ernest Jones, Jacque Lacan, Maurice Merleau-Ponty, até Conrad Stein, entre outros. Numa linguagem acessível e rica em detalhes, o exemplar cativa qualquer tipo de leitor, desde o mais humilde ao mais letrado. Um encanto radical para quem quer aumentar o conhecimento sobre este polêmico senhor Sigismund Schlomo Freud, que desafiou o pensamento Ocidental e ajudou a desvendar a humanidade.

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Não é qualquer livro que tem na orelha esquerda Omar Khouri, e na outra Lucio Agra! Ou seria o contrário? Tanto faz, pois os dois são profundos conhecedores da temática. E, para completar o cenário, prefácio de E. M. de Melo e Castro e Christopher T. Funkhouser da New Jersey Institute of Tecnology, Newark, NJ, EUA. Melo e Castro deixa a sua mensagem objetiva, clara e importante: "Para o leitor e utilizador inventivo das tecnologias, este é um dos maiores interesses deste livro, mas igualmente o Glossário, a Cronologia, a Bibliografia e a Antologia de poemas e textos teóricos que constituem os Anexos incluídos no CD-Rom complementar, contêm informação preciosa e difícil de conseguir assim sistematizada: A poesia eletrônica, em suas diferentes fases, é composta por uma linguagem tecno-artística-poética e é sob este viés que ela pode ser lida e apreciada. (...) Ela existe no espaço simbólico do computador (internet e rede), tendo como forma de comunicação poética os meios eletrônicos-digitais que se vinculam a esses componentes.

De um modo geral, ela só existe nesse meio e só se expressa, em sua plenitude, por meio dele". Num dos grandes lançamentos do segundo semestre de 2009, Poesia Eletrônica: negociações com os processos digitais (Jorge Luiz Antonio, Fapesp, Itu, SP; Editora Veredas & Cenários, Belo Horizonte, MG, 2008, 200 Páginas, R$ 30,00) repercute uma das melhores pesquisas contemporâneas dos últimos tempos, reunindo literatura, crítica literária, teoria da literatura e ensaios sobre as interfaces da poesia, arte, ciência e tecnologia. E muito mais: poesia eletrônica, tecnopoesia e as relações da poesia com o computador, arquivos eletrônicos, programas, internet, rede, texto eletrônico, hipertexto e hipermídia. Não esquecendo outro fato, já apontado anteriormente por Melo e Castro: o livro vem com CD-rom, acrescentando uma leitura multimídia, o que é certamente enriquecedor. O enfoque central do livro reside em analisar, estabelecer relações reflexivas com as distintas produções poéticas e experimentos que negociam com os processos digitais. O conjunto de exemplos estudados permite chegar a uma rica tipologia, que não encerra o assunto. Pelo contrário, a cibercultura é uma fonte inesgotável para novas releituras, enfoques ou leituras particularizadas.