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O Municipio (São João da Boa Vista, SP) online

Leitos de Covid-19 da Santa Casa estão lotados

Publicado em 11 janeiro 2021

Na sexta-feira (8), o secretário de Saúde do Estado de São Paulo, Jean Gorinchteyn, anunciou que quatro regiões regrediram à fase laranja do Plano SP, enquanto a capital seguiu na amarela, mesmo com a alta de internações nas últimas semanas. As regiões de Marília, Sorocaba e Registro voltaram à fase laranja, que prevê medidas mais restritivas. Já a região de Presidente Prudente, que estava na vermelha, progrediu para a laranja, totalizando quatro regiões nesta fase. A reclassificação começou a valer nesta segunda (11).

A região de São João da Boa Vista se manteve na fase amarela, mesmo diante do aumento de casos e da ocupação de leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI). A justificativa é a nova metodologia adotada pelo Centro de Contingência ao Coronavírus, que, segundo Patrícia Ellen, secretária estadual de Desenvolvimento Econômico, tem agora como principal indicador do Plano SP o número de internações por 100 mil habitantes.

Também foram realizados ajustes na fase amarela, com a manutenção do funcionamento máximo do comércio em 10h/diário; suspensão do atendimento presencial em bares e restaurantes depois das 20h e após às 22h nos demais setores – com exceção das atividades essenciais. O objetivo, segundo as autoridades, é limitar as aglomerações.

No anúncio da reclassificação, Gorinchteyn admitiu que a pandemia vem demonstrando piora no Estado e culpou a irresponsabilidade de parte da população em respeitar as medidas de prevenção à contaminação do novo coronavírus, principalmente na época de festas de fim de ano. “A pandemia infelizmente recrudesceu. Por culpa de poucos que não respeitaram normas sanitárias e orientações da Saúde. Pessoas que se aglomeraram, não usaram máscara, festejaram de forma irresponsável e colocaram familiares e amigos em risco. A maioria da população colabora para o controle da pandemia”, afirmou.

Também há um consenso entre os médicos e pesquisadores do Centro de Contingência ao Coronavírus de que as restrições de quarentena precisam aumentar, para que as contaminações por Covid-19 estacionem, fazendo com que haja leitos disponíveis daqui a 15 dias, quando parte das pessoas que se infectaram em aglomerações nas festas de final de ano podem desenvolver quadros graves e demandar internações.

AGRAVAMENTO DA CRISE

A situação em São João da Boa Vista é semelhante: segundo o SP-Covid-19 Info Tracker (mantido pela USP, Unesp, Fapesp e consultado na sexta), a cidade possuía 368 casos ativos na atualização de quinta, aumento de 25,17% nos últimos sete dias – no auge da primeira onda local, em 11 de setembro, São João confirmou 186 casos ativos.

O número de casos confirmados também cresceu 9,53% nos últimos sete dias, levando a cidade a atingir marca de 2.053 casos por 100 mil habitantes, e elevando a taxa óbitos/casos para 1,98%. Já o número de testes continua baixo, atingindo apenas 3.965 exames realizados – na sexta (8) foi para 3.990.

É importante destacar que esse número de casos diz respeito somente a pacientes com sintomas, portanto, se considerarmos o número de assintomáticos, esse número é bem maior.

Casos ativos: 368 registrados e atualizados na quinta (7), aumento de 25,17% nos últimos sete dias contados até na quinta-feira (7) (Reprodução/SP-Covid-19 Info Tracker) Testagens em queda: 62 testes feitos na segunda-feira (4), 56 no dia 5, outros 36 na quarta (6), 28 na quinta (7) e 25 nesta sexta (8) (Reprodução//SP-Covid-19 Info Tracker)

Segundo publicação de julho do Annals of Internal Medicine, periódico médico acadêmico publicado pelo American College of Physicians (EUA), pelo menos 45% dos indivíduos são assintomáticos, dando uma dimensão da situação da doença em São João.

O agravamento da crise de saúde se confirma com os índices de ocupação hospitalar que, como o O MUNICIPIO já sinalizava há semanas, apresentaram grande crescimento, atingindo, na quinta (7), 100% de taxa de ocupação de leitos de UTI e Enfermaria na Santa Casa Dona Carolina Malheiros – atende pacientes de São João e também pelo convênio de Regionalização. Na sexta, a taxa foi mantida, enquanto o Hospital e Maternidade Unimed alcançou 75% na UTI Covid e 0% na Enfermaria.

Mesmo diante da situação e ficando na fase amarela, a prefeita de São João, Maria Teresinha de Jesus Pedrosa (DEM), publicou decreto municipal nº.: 6.680, de 8 de janeiro de 2021, contrariando o decreto estadual e as alterações do Plano São Paulo da fase amarela e estendeu o horário de bares, restaurantes e congêneres de 10 para 12 horas, contínuas ou fracionadas. Também contrariou às medidas do Estado ao permitir que “Restaurantes e similares vendam bebidas alcoólicas até as 22h, seja para consumo local ou para viagem”, conforme o parágrafo 4º, do Art. 2º-B, do referido decreto.

Ou seja, pela reclassificação do Estado, o funcionamento máximo do comércio deveria ser mantido por 10h/diário; bares e restaurantes deveriam suspender o atendimento presencial após às 20h; já às 22h o atendimento presencial será proibido nos demais setores – com exceção das atividades essenciais.

COLAPSO NO SISTEMA DE SAÚDE

Médicos locais, ouvidos sob anonimato pela reportagem, indicam que esse pode ser um prenúncio de caos no sistema de saúde local e atribuem esse crescimento no aumento de infectados e alta da demanda por leitos de enfermaria e UTI aos eventos no final de dezembro, quando ocorreu um grande número de festas familiares e centenas de jovens locais estiveram viajando.

Ludimila Barros Zan, enfermeira-chefe do Setor de Vigilância Epidemiológica local, também afirmou nesta semana, em entrevista à TV União, que o Centro de Atendimento do Covid-19, montado pelo UniFAE e Prefeitura, passou de uma média de 30 atendimentos/dia para mais de 100.

Já a prefeita municipal, Maria Teresinha de Jesus Pedrosa (DEM), afirmou na quinta (7) ao O MUNICIPIO que o combate à Covid-19 não é algo de responsabilidade exclusiva do poder público, mas sim de toda a população.

“Trata-se de uma pandemia, cujos meios de contágio estão ligados ao comportamento da população, que está sendo esclarecida, ao máximo, para que obedeça às determinações sanitárias de prevenção, como distanciamento social, uso de máscaras, correta lavagem das mãos e uso de álcool em gel”, disse.

A prefeita não informou, porém, se há campanhas sendo desenvolvidas – ou a serem desenvolvidas – pelo poder público local para conscientizar a população da cidade, que nitidamente tem abandonado as medidas de proteção – como uso de máscaras – e distanciamento social.