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Correio Popular

Leitores de jornal são formados na sala de aula

Publicado em 30 novembro 2004

Por Nice Bulhoes da Agência Anhanguera - nice@rac.com.br
O uso do jornal na escola com o objetivo de motivar o gosto pela leitura nos estudantes e disponibilizar aos professores um recurso didático de fácil acesso para complementar suas aulas foi defendido ontem por educadores durante o 2º Seminário Nacional O Professor e a Leitura do Jornal, realizado no Ginásio Multidisciplinar da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Entretanto, o coordenador-geral do evento, Ezequiel Theodoro da Silva, da Acorde Cooperativa Educacional, alertou: "Sem professores leitores, não se formam leitores". Segundo Silva, às vezes, a escola não formula o seu jornal, o que seria ideal dentro da pedagogia do educador francês Célestin Freinet. "Mas, a escola teria de ter acesso à assinatura do jornal." A distribuição gratuita de jornais é um dos trabalhos desenvolvidos pelo Correio Escola, da Rede Anhanguera de Comunicação (RAC). Criado em março de 1992, o Correio Escola iniciou com quatro escolas e hoje atende cerca de 740 unidades de ensino da região de Campinas. Para a coordenadora do projeto e do Departamento de Educação da RAC, Cecília Pavani, a tarefa do professor se assemelha muito à do jornalista. "Se não estiverem comprometidos com a tarefa, estes profissionais terão a frustração como resultado." Pioneiro no Estado, o Correio Escola quer, segundo Cecília, promover na escola a com de diferentes linguagens presentes na vida da sociedade. "O Correio Escola tem dado muitos resultados porque as crianças do Ensino Fundamental realizam trabalhos escolares com base em informações produzidos por produtos da RAC, que apresentam diversidade de linguagem", disse o diretor Jorge Megid Neto, da Faculdade de Educação (FE) da Unicamp, referindo-se aos jornais Correio Popular e Diário do Povo. O seminário, que termina hoje, é promovido pela Acorde, pela RAC/Correio Escola, pela FE/Unicamp/Grupo de Pesquisa: Alfabetização, Leitura e Escrita (Alie) e pelo Laboratório de Estudos Avançados em Jornalismo (Labjor)/Unicamp. O presidente da Fundação de Amparo a pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e coordenador do Labjor da Unicamp, Carlos Vogt, afirmou ser fundamental a informação no processo de formação. "É pela imprensa e com a imprensa que a sociedade acompanha, participa e vive, portanto, todos os processos de decisão e de transformação que dizem respeito à vida década cidadão." Por isso, para Vogt, a imprensa deve ser auto-regulada para que não haja risco de ser "usada com objetivos escusos". Para o vice-reitor e coordenador-geral da Unicamp, professor José Tadeu Jorge, o seminário tem o propósito de aprofundar as reflexões sobre temas importantes para contribuir com as políticas públicas educacionais no País.