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Correio Popular

Laser vai medir poluição atmosférica

Publicado em 10 janeiro 2001

Por Maria Teresa Costa - Do Correio Popular - teresa@cpopular.com.br
Uma pequena empresa de Campinas acaba de desenvolver um sistema para medir concentrações de poluentes na atmosfera utilizando um laser de dióxido de carbono e detecção fotoacústica. O equipamento consegue medir concentrações de vários elementos na atmosfera, como etileno, ozônio, dióxido de enxofre, etanol, metanol, amônia, óxido nitroso, dióxido de carbono e benzeno. Conhecer as concentrações, diz o físico Edjar Martins Telles, coordenador do projeto na Unilaser Indústria e Comércio Ltda, é essencial para traçar as estratégias de redução dos poluentes atmosféricos. A Unilaser, criada pelo físico da Universidade Esta dual de Campinas (Unicamp) Artemio Scalabrin, trabalha há três anos no projeto financia ido pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), dentro do Programa Inovação Tecnológica em Pequenas Empresas. A Unilaser é uma pequena empresa instalada na encubadora do Núcleo de Apoio ao Desenvolvimento de Empresas de Base Tecnológica (Nade), da Companhia de Desenvolvimento do Pólo de Alta Tecnologia de Campinas (Ciatec) no Jardim Santa Genebra. A Ciatec é uma empresa municipal que planeja e executa a política de ciência e tecnologia de Campinas. O princípio de detecção dos poluentes e suas concentrações é fotoacústico, ou seja, a medição acontece com base nas ondas acústicas geradas por meio da absorção da radiação do laser pelo material. O sistema desenvolvido pelo pesquisador consistiu na construção de um laser de dióxido de carbono de 20W, na construção de uma fonte de alta tensão e uma cela fotoacústica para gases. O laser, que opera na faixa do infravermelho (é, portanto, luz invisível), antes de atingir as moléculas dos gases a serem analisados, passa por um modulador mecânico, que controla a passagem do feixe de luz, como num interruptor que acende e apaga. Esse abrir e fechar a passagem a luz excita de diferentes maneiras as moléculas, fazendo-as aquecer e esfriar, sucessivamente. A alternância, gera uma onda de pressão dentro da cela fotoacústica, produzindo um "som" que é captado por um microfone. Esse som é então amplificado e identificado. A análise do sinal elétrico permite saber qual é a molécula presente e sua concentração. O programa procura, agora, parceiros para concluir a parte de engenharia do projeto e automatizar a estação. Para o desenvolvimento do projeto, a Fapesp investiu cerca de R$ 250 mil, em três anos. A fase atual é de caracterização final do equipamento, de tecnologia nacional, destinado a monitorar os traços gasosos na atmosfera de regiões urbanas, rurais, industriais e nos centros de pesquisa da atmosfera. O pesquisador observa que as principais característica do equipamento são: alta sensitividade, porque é capaz de detectar concentrações de partes por bilhões (ppb) e alta seletividade uma vez que faz diferenciação nítida entre diferentes gases. Além disso tem grande faixa dinâmica de operação podendo medir baixa e alta concentração e consegue detectar vários gases simultaneamente.