Notícia

Diário de Sorocaba

Laser faz diagnóstico precoce de cancro cítrico

Publicado em 29 outubro 2002

Uma técnica - ainda em fase experimental - já é capaz de fazer um diagnóstico do cancro cítrico antes mesmo que os primeiros sintomas se manifestem. O método em questão é o uso do laser. O projeto é conduzido pelos pesquisadores do Fundecitrus (Fundo de Defesa da Citricultura) em parceria com a USP (Universidade de São Paulo) de São Carlos. A idéia de usar o laser para diagnosticar o cancro cítrico foi desenvolvida a partir da aplicação do mesmo método na detecção de alguns tipos de câncer em seres humanos. Atualmente, o Brasil é o único país a testar a tecnologia e o seu uso foi patenteado pelas instituições envolvidas no projeto. A técnica consiste em direcionar o laser para a parte da planta a ser examinada. Nas plantas doentes, as bactérias causadoras da doença refletem uma luz diferente da que seria emitida por uma planta saudável. Segundo especialistas, a nova tecnologia pode vira substituir o método tradicional de diagnóstico da doença. Hoje, as inspeções são feitas por amostragem direta no campo. Os técnicos fazem a identificação visual nas folhas das plantas à procura de manchas típicas da doença que aparecem nas folhas e nos frutos. Em talhões onde não há histórico da doença, 20% das árvores são vistoriadas. Nos outros, onde já houve casos registrados, os inspetores têm que examinar todas as plantas. No entanto a tarefa torna-se complicada em árvores adultas - com mais de cinco anos. "'Essas plantas, em geral, têm mais de 40 mil folhas, e a doença pode se manifestar em apenas duas folhas, por exemplo", afirma José Belasque, pesquisador do Fundecitrus. Com a utilização do laser, a inspeção dos pomares seria facilitada, mas o desafio dos pesquisadores é tornar a aplicação da técnica viável no campo. Hoje, o aparelho utilizado no laboratório consegue emitir um feixe de luz de 10 cm de diâmetro. Para abranger o grande número de árvores nos laranjais, os pesquisadores do Fundecitrus afirmam que seria necessária a criação de um equipamento semelhante a um farol portátil. O projeto foi encaminhado ao CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico) e à Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo). A expectativa dos pesquisadores do Fundecitrus é que em seis meses o aparelho possa ser utilizado nas lavouras. Espera-se que em dois anos ele possa ser utilizado em escala comercial. DOENÇA - Enquanto a tecnologia não chega para o produtor, levantamento anual realizado pelo Fundecitrus revela que 0,11 % dos 10 milhões de plantas visitados pela instituição estão contaminados. Em 2001, o índice era de 0,08%. O maior volume de chuvas neste ano é o principal culpado pelo aumento da doença, já que a bactéria causadora do cancro cítrico - Xanthomanas axonopodis - é transmitida pelas chuvas e também por ventos.