Notícia

CNPq - Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico

Laser é usado para monitorar poluentes que afetam a qualidade do ar

Publicado em 12 maio 2010

Compostos químicos lançados na atmosfera, em altas concentrações podem causar sérios danos a saúde, principalmente doenças crônicas ligadas ao sistema respiratório. Bronquite, renite, asma e enfisema pulmonar são as mais frequentes. As emissões desses gases, em grande parte provenientes da queima de combustíveis utilizados em automóveis e indústrias de produção, também acarretam prejuízos ao meio ambiente. Cidades brasileiras como São Paulo e Belo Horizonte estão na relação das mais poluídas do mundo. Em busca de soluções para o problema, uma nova tecnologia está sendo desenvolvida para controlar a quantidade de poluentes presentes na atmosfera.

O Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia de Estudos do Meio ambiente, apoiado pelo CNPq, e o Centro de Capacitação e Pesquisa em Meio Ambiente CEPEMA estão realizando um estudo de sensoriamento remoto. A técnica LIDAR, Light Detection And Ranging na sigla em inglês, significa detecção de luz à distância e consiste no monitoramento de emissões atmosféricas, realizada em instalações químicas industriais e em seu entorno. O funcionamento é como o de um radar, podendo alcançar longas distâncias. A aferição é feita por meio de pulsos de luz por laser, que mede a quantidade de gases poluentes ou de partículas sólidas existentes no ar.

Diferente do método tradicional, o LIDAR se destaca pela facilidade no monitoramento das emissões em processos industriais. "Hoje as indústrias usam sensores caros e específicos para medir a composição dos gases liberados pelas chaminés. Como muitas vezes os gases são quentes e as chaminés são altas e de difícil acesso, a instalação e manutenção desses medidores é complicada e onerosa. Com o LIDAR não é necessário subir até o topo da chaminé nem fazer a calibração do equipamento, pois ele é instalado em locais de fácil acesso e direcionado ao ponto almejado, o que possibilita o monitoramento à distância, tornando o processo mais fácil e barato". Explica o coordenador do projeto, Roberto Guardani.

"À medida que o projeto for desenvolvido espera-se que ocorra um aumento gradual da capacidade de medição e melhorias na precisão e aperfeiçoamento dos procedimentos envolvidos". completa. Os primeiros testes estão sendo realizados na cidade de Cubatão, São Paulo. No final de 2009 foram feitas as primeiras campanhas de medição utilizando um sistema móvel, sob diferentes condições meteorológicas. A nova técnica inclui a cidade num grupo privilegiado, formado principalmente por cidades da Europa e Estados Unidos.

Já foram investidos aproximadamente R$ 600 mil em equipamentos, além de bolsas de pesquisa e custeio. Os recursos são provenientes do Conselho Nacional de Desenvolvimento Cientifico e Tecnológico CNPq/MCT, da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo FAPESP e da Petrobras. Os procedimentos para tratar os dados obtidos ainda estão sendo aperfeiçoados. "A aplicação da técnica possibilita a implementação de sistemas de monitoramento para estudos de geração e dispersão de poluentes, tanto em fontes emissoras específicas, como em regiões selecionadas", afirma Roberto.

Para Guardani, a pesquisa poderá possibilitar que as indústrias detectem e corrijam falhas operacionais, antes que ocorram prejuízos ambientais e financeiros. Os pesquisadores pretendem ainda quantificar o que sai das chaminés para que futuramente o controle de qualidade do ar e da produção sejam mais ágeis. Além de subsidiar políticas públicas voltadas à saúde da população e do meio ambiente.