Notícia

Alô Tatuapé

Laranja pode tornar-se geneticamente resistente a pragas agrícolas, vídeo

Publicado em 15 novembro 2016

Por Elton Alisson, da Agência FAPESP

Resultado do Projeto Temático “Plataforma genômica aplicada ao melhoramento de citros”, apoiado pela FAPESP por meio de um convênio com o CNPq para o apoio a INCTs no Estado de São Paulo –, o estudo foi apresentado durante o evento “Do básico ao aplicado: apoio da FAPESP na pesquisa em citricultura”, realizado no dia 3 de novembro, no auditório da Fundação.

“Já conseguimos caracterizar vários genes candidatos à resistência a doenças de tangerinas e outros citros e agora estamos tentando transferi-los para a laranja a fim de tentar desenvolver uma planta que seja modificada, mas não transgênica, por meio de técnicas como a cisgenia [transferência de genes de espécies de um mesmo grupo de organismos que se cruzam na natureza]”, disse Marcos Antônio Machado, diretor do Centro de Citricultura “Sylvio Moreira”, do Instituto Agronômico (IAC), onde está sediado o INCT Citros, à Agência FAPESP.

“Solicitaremos licenciamento para a CTNBio [Comissão Técnica Nacional de Biossegurança] para fazer avaliações experimentais”, afirmou.

De acordo com o pesquisador, a identificação de genes-alvo para aumentar a resistência da laranja a pragas agrícolas foi possível por meio do sequenciamento do genoma de referência de citros.

Concluído em 2014 por um consórcio internacional de pesquisadores dos Estados Unidos, França, Espanha, Itália e Brasil, representado por pesquisadores do IAC e da Embrapa, o projeto foi iniciado em 2003, quatro anos após o sequenciamento do genoma da Xylella fastidiosa – bactéria causadora da doença clorose variegada dos citros (CVC) ou “amarelinho”, que ataca a laranja.

A fim de superar o desafio de sequenciar o genoma da laranja doce (Citrus sinensis L. Osb) – que é extremamente complexo por ser altamente heterozigoto (os alelos de um ou mais genes são diferentes) e com alta frequência de sequências repetidas, o que dificulta sua montagem – os pesquisadores do consórcio optaram por sequenciar um genoma menos complexo e que pudesse ser usado como genoma de referência, ao qual fossem alinhados todos os genomas de citros.

O escolhido foi o genoma da clementina – uma fruta resultante do cruzamento da laranja com a tangerina, que é a base da citricultura espanhola e é haploide (tem metade da carga genética original).

Concluído o sequenciamento do genoma da clementina, os pesquisadores sequenciaram o genoma de mais nove espécies de citros candidatas a parentes da laranja doce para ampliar a base de comparação dentro do grupo e verificar como uma espécie originou outra ao longo da evolução.

Dentre as espécies de citros analisadas foram incluídas a laranja doce Pineapple – uma variedade altamente produtiva, comparada à laranja Pera e extensivamente utilizada na Flórida (Estados Unidos), de onde é originária –, a clementina diploide, a tangerina Ponkan (C. reticulata), mexerica do Rio (C. deliciosa tenore), tangor W. Murcott, laranja azeda Seville, laranja doce Washington Navel, toranja Chandler e toranja Siamesa de baixa acidez.

As análises da comparação dos genomas revelaram que a laranja doce (Citrus sinensis L. Osb) – que é a principal espécie de citros no mundo – não é uma espécie pura.

Seus progenitores são, preponderantemente, toranja (C. máxima) e tangerina Ponkan (C. reticulata), além de outra espécie desconhecida de citro.

“O genoma de referência de citros tem nos ajudado muito a entender porque a tangerina é resistente à CVC e porque alguns grupos parentes de citros são resistentes a quase todas as doenças que atacam essas culturas”, disse Machado.

“Essas variedades de citros podem ser fontes interessantes de genes que podem aumentar a tolerância e resistência a pragas e doenças”, avaliou.

https://youtu.be/EHf7IDT3I5U

Agência FAPESP