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UNICAMP - Universidade Estadual de Campinas

Laplane aponta maior peso da inovação nas políticas de C&T

Publicado em 23 maio 2014

Por Luiz Sugimoto

“Vim tratar do tema ‘Politica de ciência, tecnologia e inovação e desenvolvimento econômico’ com um enfoque bastante atual”, adiantou o professor Mariano Laplane, antes de conceder palestra na sala do Conselho Universitário (Consu). “Desde a crise econômica em 2008, as políticas de ciência e tecnologia no mundo, principalmente nos países desenvolvidos, têm se transformado em políticas de inovação. Na verdade, sempre foi assim, mas o peso relativo da inovação aumentou como alvo das políticas de C&T.”

Ex-diretor do Instituto de Economia (IE) e atual presidente do Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE) do MCTI, Laplane voltou à Unicamp na manhã desta sexta-feira a convite da Pró-Reitoria de Pesquisa (PRP). “O maior peso da inovação tem a ver com duas consequências da crise mundial em 2008. Em primeiro lugar, temos uma disputa cada vez mais intensa entre as potências econômicas já constituídas e as potências emergentes – tipicamente, entre Estados Unidos, Europa, Japão e China. Isso faz com que as políticas nacionais de C&T passem a ser instrumentos para melhoria da situação econômica dos países.”

O professor da Unicamp observa, em segundo lugar, que os outros atores importantes desta disputa no contexto da crise são as grandes empresas, que vão aumentando o controle sobre os mercados mundiais. “São empresas em número pequeno, mas de grande porte. E a disputa entre pesos pesados não é fácil, precisam ter armas muito poderosas e arma poderosa contra o concorrente sempre é a inovação: fazer o que o outro não faz ou fazer melhor do que ele faz.”

Mariano Laplane considera que este cenário traz enormes desafios para o Brasil, cuja entrada no jogo é inevitável. “Somos um país que quer emergir, melhorar as condições de vida da população, expandir a economia; então, tem que aceitar as regras. A questão é que não possuímos características que facilitem a nossa entrada na briga. Do lado das empresas, vemos uma situação bem particular em que a maioria das grandes não é brasileira. Isso cria limitações como a de termos de negociar o quanto elas vão inovar aqui dentro e o quanto lá fora. Outro ponto é que o setor privado, nacional ou estrangeiro, investe pouco em inovação – mesmo o agronegócio, que é altamente inovador, geralmente compra a tecnologia.”

A decorrência, segundo o presidente do CGEE, é que a política de inovação cai demais sobre os ombros do gasto público, que possui inúmeras outras demandas, como da saúde, educação, infraestrutura, mobilidade urbana e segurança pública. “Apesar de tudo, estamos conseguindo avanços interessantes em algumas áreas, como na nossa ciência, que melhorou bastante em quantidade e qualidade. Aumentamos o número de doutores e mestres e há instituições de excelência, universitárias como a Unicamp e de fomento como a Fapesp. Também criamos mais programas de alcance nacional do que antes, a exemplo do Ciências sem Fronteiras. Vamos aprendendo a jogar esse esporte.”

Sobre seus três anos à frente do CGEE, Mariano Laplane afirma que nada tem a reclamar do ponto de vista pessoal, pois conta com ótimas condições de trabalho e gente dinâmica e interessante a apoiá-lo. “É uma experiência enriquecedora para um economista de formação e pesquisador na área de economia industrial e de tecnologia, e que sempre teve curiosidade pelo tema do desenvolvimento econômico. Venho aprendendo como se formula a política de ciência e tecnologia, como se implementa e como é avaliada no Brasil e em outros países. Mas sinto falta da Unicamp.”