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Lama negra pode controlar artrite, diz pesquisa

Publicado em 11 abril 2006

Os resultados de um experimento científico desenvolvido na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) poderão ajudar a comprovar que a lama negra encontrada em Peruíbe, litoral paulista, pode ser usada como tratamento de doenças.
Conforme divulgado pela Agência FAPESP, a lama negra, encontrada em mangues da região e usada pelos moradores para fins terapêuticos, mostrou ter efeito positivo no controle da artrite reumatóide, doença que afeta as articulações.
Ao ser utilizada em ratos com artrite induzida, a lama permitiu a diminuição de quadros inflamatórios nos animais, além de uma melhora na destruição de tecidos da articulação.
"Esse tipo de lama possui alta concentração de minerais que o organismo humano necessita em pequenas quantidades. Eles podem ser os responsáveis pelo efeito antiinflamatório da lama negra", disse a biomédica Zélia Maria Nogueira Britschka, autora da pesquisa.
Durante os experimentos, no Laboratório de Inflamação da Reumatologia da Faculdade de Medicina, os ratos foram submetidos à um quadro de artrite crônica e depois expostos ao tratamento com a lama, usada a uma temperatura de 40ºC. Os testes se repetiram durante 15 dias.
Para efeito de comparação, um grupo de ratos foi tratado nas mesmas condições, mas com água quente ao invés da lama. Esses animais tiveram uma melhora menos significativa.
Segundo a pesquisadora, o alumínio, o silício, o cálcio e o enxofre foram os principais elementos identificados na lama de Peruíbe. "Ainda não sabemos se todos ou apenas um desses minerais agem contra a dor. Os próximos estudos devem identificar quais deles são realmente absorvidos pela pele", afirmou .
Outro desafio é promover o uso racional da lama negra de Peruíbe. "Esse é um material retirado da natureza que não consegue se repor. O solo que substitui o local é a areia e não mais a argila", disse Zélia.