Notícia

A Tribuna (Santos, SP)

Lama Negra, a serviço da beleza e do bem-estar

Publicado em 18 fevereiro 2013

Todos os anos, em média, 10 mil turistas visitam o Complexo Thermal da Lama Negra de Peruíbe, ou Lamário, para aplicar o milenar minério de base argilosa. No local, 40 pacientes realizam tratamento atualmente, para fins variados.

Segundo o coordenador do projeto Lama Negra de Peruíbe, Paulo Flávio de Macedo Gouvêa, a mistura também despertou a atenção da comunidade científica. “A Lama Negra de Peruíbe, neste momento, se aproxima de ser o material desta natureza mais bem estudado de todo o mundo”.

Além de ser uma aliada da Medicina e da Estética, a lama negra ajuda a impulsionar a economia. “O termalismo, na atualidade, no mundo desenvolvido, está sendo o ramo de atividade econômica que mais emprega na Europa, nas atividades de turismo de Saúde, de bem-estar geral e de spa”, lembra o coordenador do projeto.

FORMAÇÃO

A lama negra possui formação original no fundo do ambiente marinho. “Após o recuo do mar, ocorrido há 120 mil anos, ficou exposto aos raios solares e foi enriquecido com matérias orgânicas de origem oceânica e continental, adquirindo, com isso, a qualidade de ser um pelóide ou fango, que todo logo, limo e lama, cujos grãos estão revestidos de material orgânico, o que lhe confere seu grande poder medicinal, terapêutico e estético”, explica Gouvêa.

O produto tem uma grande quantidade de aplicações. “Podemos resumir os efeitos dela como sendo um revitalizador dos tecidos e em cada local de uso e em cada situação isso ocorrerá de forma particular”, ressalta o coordenador do projeto. “Dentre os efeitos mais conhecidos, podemos destacar o efeito anti-inflamatório, clarificador da pele e tônico da vasos circulatórios”.

A Lama Negra de Peruíbe é aplicada de forma externa, por meio de máscaras, cataplasmas e em banhos. No lamário, o uso pode ser na forma de máscaras faciais, indicadas para tratamento de manchas escuras, atenuação de rugas e marcas de expressão; máscaras corporais, indicadas para tratamentos de psoríases, déficit circulatório, ansiedade e estresse; e cataplasmas, indicados principalmente para uso nas articulações.

PESQUISA

O Projeto Lama Negra de Peruíbe foi criado há dez anos. Nesse período, de acordo com Gouvêa, foram atendidas mais de 100 mil pessoas.

“O projeto acabou por se tornar uma referência dentro do termalismo social, que é uma das atividades do Ministério da Saúde, e que faz parte da Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares”, relata o coordenador do lamário.

“Isso suscitou a atenção de alguns pesquisadores do Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares da USP e dessa aproximação nasceu um projeto de pesquisa temático, cujo tema é a Lama Negra de Peruíbe”, explica Gouvêa.

Inicialmente, segundo o profissional, o trabalho seria centrado no aspecto clínico da lama negra. “Mas acabou ampliando o campo de interesse e hoje serão estudados também os aspectos radiativos, químicos e bioquímicos”.

Neste momento, conforme Gouvêa, os projetos encontram-se em fase inicial – apenas os que não dependiam de verba orçamentária se encontram em fase mais avançada. “Os demais, cujos custos foram patrocinados pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), terão início neste mês”.

NA PELE

Funcionária do Complexo Thermal Lama Negra de Peruíbe, Mirrailla Rocha de Jesus, de 21 anos, há um mês aplica o material no rosto, dia sim, dia não. O objetivo é controlar a obesidade da pele.

“Limpa a pele, faz uma esfoliação, dá para sentir a diferença”, garante Mirrailla. “Quando tiro, já sinto que a pele está mais lisa”.

O lamário abre de segunda a sexta-feira, das 8 às 17 horas e, aos sábados e domingos, das 10 às 16 horas. A aplicação de máscaras faciais custa R$ 2,00.

DE PERUÍBE