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A Tarde (BA)

Lama é usada para combater artrite

Publicado em 23 abril 2006

Agência FAPESP
Os resultados de um experimento científico desenvolvido na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) poderão ajudar a embasar uma antiga tradição, realizada há muitos anos na cidade de Peruíbe, litoral sul de São Paulo. A lama negra, encontrada em mangues da região, e usada pelos moradores com freqüência para fins teraupêticos, mostrou ter um efeito positivo no controle da artrite reumatóide, doença que afeta as articulações do organismo humano.
Ao ser utilizada em ratos com artrite induzida, a lama negra permitiu a diminuição dos quadros inflamatórios nos animais, além de uma melhora na destruição de tecidos da articulação. "Esse tipo de lama possui alta concentração de elementos traços, ou seja, minerais que o organismo humano necessita em pequenas quantidades. E podem ser eles os responsáveis pelo efeito antiinflamatório da lama negra", disse a biomédica Zélia Maria Nogueira Britschka, autora da pesquisa, à Agência FAPESP.
Durante os experimentos no Laboratório de Inflamação da Reumatologia da FM, os ratos foram submetidos à um quadro de artrite crônica para, em seguida, serem expostos ao tratamento com a lama, usada a uma temperatura de 40ºC. Os testes se repetiram diariamente por 15 dias.
Para efeito de comparação, foi utilizado um grupo de ratos controle tratado nas mesmas condições, mas com água quente ao invés da lama. Esses animais tiveram uma diminuição menos significativa da resposta inflamatória.
Segundo a pesquisadora, o alumínio, o silício, o cálcio e o enxofre foram os principais elementos identificados na lama de Peruíbe. "Ainda não sabemos se todos ou apenas um desses minerais agem contra a dor. Os próximos estudos vão se concentrar em identificar quais desses elementos é realmente absorvido pela pele", afirma.
Além de verificar seu possível efeito terapêutico em humanos, o grande desafio agora é promover o uso racional da lama negra de Peruíbe. "Esse é um material retirado da natureza que não consegue se repor. O solo que substitui o local é a areia e não mais a argila", conta Zélia. Além disso, os próprios manguezais do Sul de São Paulo, fora das áreas protegidas, estão sob constante ameaça.