Notícia

Jornal do Brasil

Lágrimas artificiais e colírios tratam síndrome de olho seco

Publicado em 02 março 1996

Por ALICIA IVANISSEVICH
Já há mais de uma opção para acabar com o desconforto provocado pela síndrome de olho seco. Lágrimas artificiais, colírios umidificantes, o lacri-sert - dispositivo ainda não disponível no Brasil - e plugues para obstrução do canal lacrimal conseguem controlar os sintomas com quase 100% de sucesso. Os avanços no tratamento dessa síndrome - que pode levar à perda da visão - serão apresentados hoje no Simpósio Oftalmológico Interativo Via Satélite, evento que permitirá aos médicos de 21 cidades brasileiras se atualizarem, sem viajar até o local. Para participar, basta comparecer às 9h ao anfiteatro da Embratel (no Rio, fica na Av. Presidente Vargas 1012 - 16°). "A síndrome de olho seco se caracteriza pela redução ou total falta de lágrimas. Os sintomas mais comuns são ardência, sensação de areia e ressecamento dos olhos, ao ponto de a pessoa não conseguir abrir as pálpebras, quando acorda", descreve o oftalmologista Darcy Andrade de Domingues, do Instituto de Olhos de Ipanema e vice-presidente do simpósio via satélite. O problema é comum em usuários - de longa data - de lentes de contato, mulheres que atravessam a menopausa e portadores de doenças auto-imunes, como artrite reumatóide, lúpus eritematoso sistêmico e síndrome de Sjogren. Pode ser encontrado também em pacientes com câncer que se submetem à radioterapia sem proteger os olhos e em pessoas com blefarite (inflamação das pálpebras) crônica. Há ainda outras causas para o olho seco: falta de vitamina A, uso excessivo de colírios, lesão do nervo sétimo par e síndrome alácrima congênita. Infecções - Por mais triste que pareça, as lágrimas são essenciais para manter a lubrificação dos olhos e protegê-los de infecções bacterianas e corpos estranhos. O diagnóstico é feito através de teste de Schirmer, em que se coloca - sem anestesia - um papel especial entre a pálpebra e o globo ocular que deve permanecer no olho fechado por cinco minutos. O papel absorve, como um filtro, as lágrimas produzidas, que são posteriormente medidas com uma régua oftalmológica. "O primeiro tratamento de escolha são as lágrimas artificiais", diz Domingues. "Quando essa opção não é suficiente, tentam-se soluções lubrificantes, como o álcool polivinílico. Estamos tentando convencer as autoridades a vender no país o lacri-sert - espécie de grão de arroz que, quando colocado no olho, libera uma substância viscosa - que atualmente tem que ser importado", acrescenta. Domingues lembra que outra solução para o problema é a cauterização do canal lacrimal, para conter no olho a pouca quantidade de lágrima secretada. " Antes disso, deve-se tentar os plugues, que obstruem temporariamente o canal lacrimal", recomenda. O simpósio vai discutir ainda outras doenças oculares externas e os transplantes de córnea.