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Laboratórios financiam pesquisas

Publicado em 23 janeiro 2003

Por CRISTINA GOMES
Quatro laboratórios vão financiar as pesquisas que serão feitas pela Universidade de Mogi das Cruzes para testar em seres humanos um novo medicamento que pode combater o câncer e impedir a metástase (alastramento) de tumores malignos. O contrato prevê sigilo sobre a identidade das empresas que aderirem ao projeto, a pedido dos próprios laboratórios. A UMC anunciou a descoberta de um medicamento capaz de impedir o desenvolvimento do câncer em novembro do ano passado. O estudo foi concebido pelo pesquisador Antônio Fávero Caires, doutor em Química Inorgânica, e desenvolvido nos últimos quatro anos no Laboratório Centro Interdisciplinar de Investigação Bioquímica da UMC. "O desenvolvimento da pesquisa está de vento em popa, mas vai consumir milhões em dinheiro para testar o medicamento em seres humanos", afirmou Caires ontem à tarde. Segundo o pesquisador, haverá necessidade de efetuar pesquisas em outros países, estudar a população, credenciar equipes médicas e dividir a população em faixas etárias e tipos de tumores. Ele acredita que a próxima etapa será muito trabalhosa: "Não sei se será a mais complicada. Com certeza envolverá um gasto maior e tempo. É imprevisível quando poderemos concluí-la". Existe a possibilidade ainda de a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) conceder o uso da patente sobre o medicamento e não vendê-la, possibilitando a adesão de outras empresas interessadas. A pesquisa para o desenvolvimento do medicamento consumiu cerca de US$ 2 milhões, financiados pela Fapesp e pela própria instituição mogiana. A descoberta já foi patenteada junto ao Instituto Nacional de Propriedade Industrial. O medicamento, no entanto, só faz efeito sobre tumores malignos. É um composto organometálico de paládio - o metal paládio ligado a elementos orgânicos -, com capacidade de inibir a ação de enzimas responsáveis pelo desenvolvimento e alastramento do tumor. A princípio não foram detectadas contra-indicações ou efeitos degradativos do medicamento. A eficácia das pesquisas foi comprovada em testes com cobaias; no caso, ratos brancos.