Notícia

Jornal da Unesp

Laboratório social

Publicado em 01 junho 2015

Por Daniel Patire

Com o objetivo de incentivar parcerias entre empresas e pesquisadores da Faculdade de Ciências e Tecnologia (FCT), Câmpus de Presidente Prudente, foi realizado o Workshop Extensão Universitária, Inovação Tecnológica e Desenvolvimento Regional. O tema busca entrelaçar as pesquisas, tecnológicas ou de cunho social, com o meio empresarial ou outros agentes sociais, para que elas sejam levadas à sociedade, contribuindo para o desenvolvimento da cidade e da região. O evento aconteceu nos dias 17 e 18 de abril.

“A extensão social é o laboratório social das práticas de ensino e pesquisa da Universidade”, salientou a pró-reitora de Extensão Universitária da Unesp, Mariângela Spotti Lopes Fujita, no encontro.

Para a pró-reitora, o evento foi uma primeira experiência de aproximação entre os universos empresarial e universitário, por meio de uma mudança radical nas características atuais da extensão universitária. Denominada Extensão Inovadora, a proposta assinala que as novas tecnologias sejam levadas para a sociedade por meio de parcerias com as empresas e o poder público local.

O workshop, sob a coordenação do vice-diretor da FCT José Carlos Silva Camargo Filho e do professor Aldo Eloizo Job, foi organizado pelo Centro Local de Apoio à Extensão (Clae), da faculdade. O evento   teve o apoio da Pró-reitoria de Extensão Universitária (Proex), da Pró-reitoria de Pósgraduação, da Fundação para o Desenvolvimento da Unesp (Fundunesp), da Editora Unesp, da prefeitura de Presidente Prudente, do escritório regional do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), do Sebrae – SP e das empresas Netzsch, Labor SP e Posmat.

O interesse pelo workshop pode ser medido, por exemplo, pela participação do prefeito de Presidente Prudente (SP), Milton Carlos de Mello “Tupã”; do deputado estadual Ed Thomas; do diretor da FCT, professor Marcelo Messias; do professor Messias Meneguello Jr.; de docentes de diferentes unidades da Unesp, de estudantes e de um grande número de empresários.

Eles assistiram às palestras de Felipe Silva Bellucci, do Ministério da Ciência e Tecnologia; do professor Douglas Eduardo Zampieri, da Fapesp; dos secretários municipais de Presidente Prudente, Aristeu Santos Penalva de Oliveira e Rogério Marcus Alessi; da diretora-presidente da Agência Unesp de Inovação (AUIN), professora Vanderlan Bolzani; do vice-presidente da Cetesb, Nelson Bugalho; do presidente regional do Ciesp, Wadir Olivetti Junior; do consultor do Sebrae Thiago Alexandre Brandão Farias; e do engenheiro da Netzsch João Mesquita.

ESTREITANDO RELAÇÕES

Entre as pesquisas da Universidade e as empresas, há uma série de desdobramentos legais, como patentes, licenças de uso, royalties. Na Unesp, essa relação está sob responsabilidade da AUIN. De acordo com Vanderlan, desde sua criação, em 2008, a agência já fez 66 pedidos de patentes para a Universidade, além de um mapeamento de possíveis tecnologias ou métodos patenteáveis e de interesse.

“A qualidade de vida das pessoas e o nível de desenvolvimento das nações dependem, cada vez mais, da velocidade e eficácia com que estas produzem, absorvem e utilizam conhecimentos científicos, tecnológicos e inovações”, disse.

Entre as políticas voltadas para facilitar esse intercâmbio e também o desenvolvimento tecnológico da indústria, Bellucci apresentou as leis federais que dão apoio e suporte a pesquisa, desenvolvimento e inovação (P, D & I) nas empresas. Ele relacionou a Lei da Inovação, de 2004, Lei do Bem, de 2005, Lei Rouanet da Pesquisa, de 2007, e a Lei Paulista da Inovação, de 2008.

Por sua vez, Zampieri analisou o Programa Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (Pipe), criado em 2007 pela Fapesp para financiar as pesquisas inovadoras em pequenas empresas no Estado. Para ele, as chamadas startups, criadas junto aos laboratórios universitários por meio de suas pesquisas, são as empresas com potencial inovador e capazes de levar o conhecimento para fora dos muros das instituições.

Os secretários municipais Alessi e Penalva falaram da implantação de um Centro de Inovação em Presidente Prudente, para incentivar a criação de novas empresas de base tecnológica. O governo local deverá elaborar uma política pública que abarcará a criação de um fundo municipal de Ciência, Tecnologia e Inovação (CT&I), o incentivo fiscal à inovação, um plano de inovação da administração municipal e um plano de sustentabilidade, além da criação de um conselho municipal de CT&I.

OUTRAS POSSIBILIDADES

Para Bugalho, da Cetesb, as universidades e pesquisadores têm muito a contribuir com sua região e todo o Brasil, ao realizarem pesquisas sobre o reuso de resíduos descartados. “A Economia Verde, ou circular, é um sistema baseado na logística reversa. Além de ser um dever de toda a sociedade, é também a oportunidade de o País ter um desenvolvimento sustentável”, destacou.

Força para a extensão

O Centro Local de Apoio à Extensão (Clae) é uma proposta da Proex para ser implantada em todas as unidades da Unesp. O projeto-piloto da FCT visa colaborar para o desenvolvimento das ações extensionistas da faculdade em três segmentos: ações de cunho social; extensão tecnológica, com pesquisas ligadas à indústria e ao comércio; e cursos de extensão e de especialização de caráter multidisciplinar. O Clae deverá ser um centro de excelência, articulado com ensino, pesquisa e extensão, com estrutura pública de qualidade, que vai ao encontro das demandas atuais da sociedade, em especial da região. Esperase, dessa forma, que o Centro se torne, em curto prazo, uma referência regional e estadual em assuntos estratégicos relativos a projetos de extensão.