Notícia

Envolverde

Laboratório estuda funcionamento da sociedade grega antiga

Publicado em 30 abril 2010

O Laboratório de Estudos da Cidade Antiga (Labeca) do Museu de Arqueologia e Etnologia (MAE), da Universidade de São Paulo (USP) acaba de lançar dois DVDs que reúnem informações sobre Siracusa, cidade grega situada na região da Sicília (Itália).

O primeiro DVD traz filmagens e fotografias da cidade, feitas em campo por perquisadores do laboratório. Segundo a professora do MAE, Maria Beatriz Florenzano, que coordena o Labeca, o acervo do laboratório é composto atualmente por 17 horas de filmagem e cerca de 4 mil fotografias feitas em campo, além de grande quantidade de textos.

Siracusa foi fundada no século VIII a.C., passou pelos gregos, romanos, normandos e bizantinos, e hoje vive em torno dessas memórias, destaca Maria Beatriz. Ela informa que o Labeca se dedica ao estudo do ambiente construído das cidades gregas dos períodos arcaico, clássico e helenístico, entre os séculos VIII e II A.C.

Estudiosos pesquisam evolução da sociedade grega ao longo de seis séculos

Um teatro grego da antiguidade existe até hoje na cidade e foi incorporado à cultura contemporânea, com a apresentação de danças, shows, entre outras manifestações, afirma a pesquisadora. Ao mesmo tempo, a professora observa um choque de interesses entre a necessidade de sobrevivência e a preservação do patrimônio.Conhecemos em Siracusa uma senhora que planta uvas para a produção de vinho na região, e em algumas ocasiões, ela passava o arado na plantação e esbarrava em objetos bizantinos ou romanos.

O segundo DVD reúne trechos longos de uma peça encenada no teatro daquela cidade. Também são reproduzidas imagens de outros teatros da Grécia, de forma a posicioná-los como atividades culturais e religiosas da Grécia Antiga. A intenção é colocar os materiais do laboratório à disposição do grande público, destaca a professora do MAE.

Estudos

Desde que foi oficialmente criado, em 2006, o Labeca passou a ser uma fonte de pesquisa para especialistas da área e professores de faculdades, de cursos preparatórios e dos ensinos médio e fundamental. Segundo Maria Beatriz, a ida de parte dos pesquisadores à Grécia e a regiões da Itália, que na antiguidade estavam sob domínio grego, ajudou no desenvolvimento dos estudos e até serviu para questionar algumas teorias e mitos enfatizados atualmente.

Os textos mais antigos, por exemplo, mostram uma mulher sem espaço na sociedade grega. Acreditam que somente o homem era cidadão, porque tinha o poder do voto, afirma a professora. Porém, os pesquisadores perceberam a preponderância que ela tinha no controle da casa, a maneira como a imagem dela aparece nos cemitérios.

De acordo com a professora, a intenção do Labeca é mostrar que a contribuição da sociedade grega para o mundo vai além da visão política, tão enfatizada nos livros de história. O espaço dirigido aos escravos também nos trouxe algumas conclusões, aponta Em Atenas, vimos que eles exerciam posições de comando em muitos aspectos.

As linhas de pesquisas que norteiam o trabalho dos 32 pesquisadores - professores, estudantes e técnicos vão desde a formação da pólis (cidade antiga) -, passam pela religião, economia, identidade, até o planejamento urbano. Um projeto temático apoiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) permitiu a compra de equipamentos de última geração, como computadores usados para edição de imagens, e a contratação de sete pesquisadores bolsistas. Além disso, os cientistas também receberam recursos para a realização de viagens ao exterior, para recolher material de pesquisa e adquirir bibliografia específica.

(Envolverde/Agência USP de Notícias)