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Ambientebrasil

Laboratório do Inpe divulga nota sobre florações de algas em reservatórios do rio Tietê

Publicado em 21 fevereiro 2019

Nós fazemos parte do Laboratório de Instrumentação de Sistemas Aquáticos (LabISA) do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais cuja missão, dentre outras atividades, é a de desenvolver técnicas de mapeamento de florações de algas em reservatórios a partir de imagens de satélites calibradas com dados coletados em campo. Esse tipo de mapeamento pode ajudar o monitoramento da qualidade da água, ampliando a frequência e escala de avalição da ocorrência de algas.

É importante lembrar que esses eventos são mais frequentes e intensos durante o verão, pois tanto o aumento da temperatura quanto a maior disponibilização de nutrientes no reservatório, devido ao carreamento proporcionado pelo aumento da frequência de chuvas, estimulam o processo de eutrofização no sistema aquático, o que favorece o desenvolvimento de algas (fitoplâncton). No caso, em específico dos reservatórios do médio Tietê, esse desenvolvimento está associado ao enriquecimento do corpo de água em decorrência da agricultura (cana-de- açúcar, laranja) na bacia de drenagem. Esse fenômeno tem sido investigado desde de 2009, quando pesquisadores do LabISA se organizaram para estudar o impacto da expansão do cultivo da cana na qualidade da água em reservatórios no âmbito do Projeto FAPESP “Environmental and Socioeconomic Impacts Associated with the Prodution and Consumption of Sugar Cane Ethanol in South Central Brazil” (Bioen, Processo: 08/56252-0).

Nesse contexto, a MSc. Carolline Tressmann Cairo desenvolve, atualmente, sua Tese de Doutorado no DSR/INPE justamente com a quantificação de algas (mais precisamente concentração de clorofila-a) no Reservatório de Ibitinga. O objetivo da pesquisa da doutoranda é desenvolver um algoritmo que permita o monitoramento sistemático do Índice de Estado Trófico (IET) no espaço/tempo para o reservatório da UHE Ibitinga usando uma abordagem híbrida, ainda não testada no Brasil.

O LabISA também está desenvolvendo um sistema de classificação e monitoramento de águas interiores (MAPAQUALI), que utiliza dados de qualidade da água obtidos in-situ (ex.: clorofila-a) juntamente com imagens orbitais. O projeto MAPAQUALI tem como meta disponibilizar produtos como mapas e séries históricas de parâmetros de qualidade da água em reservatórios, lagos e rios de diversos biomas brasileiros.

Ainda em fase experimental, o projeto busca identificar demandas de diferentes setores da sociedade, como setor hidrelétrico, mineração, e secretarias de controle ambiental, para realizar parcerias e oferecer produtos de qualidade da água.

Portanto, gostaríamos de divulgar alguns mapas de concentração de clorofila-a (Figura 1), que é um indicativo direto da concentração de fitoplâncton (algas), dos reservatórios de Ibitinga, Bariri e Barra Bonita, em três datas: 06/12/2018, 16/12/2018 e 20/01/2019, usando imagens do Sentinel-2 e o modelo NDCI de Mishra e Mishra (2012).

Fonte: Laboratório de Instrumentação de Sistemas Aquáticos (LabISA)

Coordenador – Claudio Clemente Faria Barbosa (claudio@dpi.inpe.br)

Doutoranda – Carolline T. Cairo (carolline.cairo@inpe.br)