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Laboratório de Inovação em Biocombustíveis é inaugurado na Unicamp

Publicado em 15 julho 2019

A preocupação ambiental nunca esteve tão evidente como nos dias atuais. Falando da poluição do ar, muitas ações foram tomadas, ainda que aquém do ideal. É o caso da utilização de combustível menos poluidores de modo a preservar o meio ambiente e reduzir a dependência de combustíveis fósseis.

Depois do etanol, tivemos o biodiesel e o diesel de cana. Junto a eles, também estão presentes outros tipos de combustíveis, como a própria eletricidade e o gás natural que, embora de origem fóssil, polui pouco menos que o diesel comum. Mas é preciso seguir em frente e sempre pensar em desenvolver esse e tipo de tecnologia.

Foi pensando nisso que a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) inaugurou no dia 5 de julho, o prédio do Laboratório de Inovação em Biocombustíveis (LIB), localizado no Parque Científico e Tecnológico da instituição de ensino. A solenidade contou com a participação do reitor da universidade, Marcelo Knobel.

“A Unicamp é pioneira nas pesquisas sobre biocombustíveis, com faculdades e institutos que atuam nessa área de pesquisa. Ter um espaço dedicado a isso pode fomentar mais pesquisas junto às empresas e os nossos grupos de pesquisa em biocombustíveis e que será muito importante para o desenvolvimento dessa área no País”, salientou.

A Agência de Inovação Inova Unicamp, responsável pelo Parque Científico, também disponibilizou edital para empresas interessadas em se instalar nesse novo espaço, com projetos de pesquisa e desenvolvimento (P&D).

Segundo informações do portal do governo do estado, a construção do edifício teve apoio da Financiadora de Inovação e Pesquisa (Finep) e tem o objetivo de instalar empresas interessadas em firmar projetos com a Unicamp relacionados à área de biocombustíveis, em temas como biotecnologia de plantas e leveduras; hidrólise de biomassa; fermentação; destilação; produção de hidrogênio a partir de etanol; produção eficiente de biodiesel; gerenciamento de processos visando otimização de recursos e redução do impacto no meio ambiente.

O LIB recebeu da Finep o valor de R$ 3.687.917,42 após a aprovação do projeto submetido em 2009, complementado com recurso orçamentário da Unicamp para a finalização no valor de R$ 1.398.531,16.

Ao todo, foram investidos R$ 5.086.448,58 para edificação do prédio com área de 1.226,76 m², disponível para ocupação e divididos em três andares.

Entre os diferenciais do LIB, também há uma planta-piloto que ocupa três andares de altura, conhecida no jargão da construção civil como pé-direito alto, destinada para pesquisas com equipamentos de grande porte, como colunas de destilação e biorreatores, por exemplo.

O edifício também possui salas administrativas, de reuniões e anfiteatro no térreo, além de laboratórios de pesquisa nos 1º e 2º pavimentos (cinco salas por andar).

De acordo com o professor Newton Frateschi, diretor-executivo da Agência de Inovação Inova Unicamp, o prédio do LIB foi inaugurado em um momento importante para incentivar pesquisas na área de biocombustíveis, em razão da preocupação mundial crescente com a sustentabilidade.

“Pesquisas como as desenvolvidas na Unicamp, em parcerias com empresas, podem chegar ao mercado com produtos inovadores que contribuem com a economia brasileira além de reduzir o impacto da humanidade no meio ambiente”, enfatizou.

“A agricultura enfrenta uma série de desafios num ambiente em constante mudança, o que incentiva uma incessante busca por maior produtividade com maior sustentabilidade”, explica Marcelo Menossi, professor do Instituto de Biologia (IB) sobre os trabalhos científicos em cana-de-açúcar desenvolvidos pelo grupo de estudos coordenado por ele.

“Na cultura da cana-de-açúcar não é diferente, sendo o estresse por seca um componente importante que reduz consideravelmente a produtividade”, completa o docente. O grupo já depositou 14 pedidos de patentes relacionadas aos genes que conferem vantagens agronômicas como tolerância à seca, aumento de teor de sacarose, aceleração de crescimento, bem como de sequências de DNA que possibilitam o controle da expressão gênica em cana-de-açúcar.

Esse é um dos exemplos das pesquisas realizadas na Universidade, quando o assunto é Biocombustíveis. A interação com o setor produtivo é prioridade no grupo e recentemente uma das tecnologias foi licenciada para uma empresa com a finalidade de aumentar a tolerância à seca em soja. Segundo o professor, várias inovações estão em fase de negociação, com o qual o horizonte é promissor quanto à transferência de conhecimento para o setor de bioenergia do Brasil.

Outro grupo de pesquisa na área de biocombustíveis é liderado pelo professor Rubens Maciel Filho, docente da Faculdade de Engenharia Química (FEQ) da Unicamp, que tem trabalhado com biorrefinaria nos últimos 35 anos. Atualmente, há um projeto temático nessa linha apoiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), com objetivo de desenvolver tecnologias e processos que viabilizarão economicamente a produção de químicos, materiais, combustíveis e eletricidade em biorrefinarias integradas de cana-de-açúcar.

“As intenções dessa proposta estão relacionadas ao aumento da produção de etanol em combinação com cogeração e meios eficazes de converter a biomassa da cana em etanol e químicos, incluindo aqueles com valor agregado. Dessa maneira, o objetivo é aumentar a competitividade econômica do etanol no mercado de combustíveis”, diz.

O Plamurb espera que ações desse tipo sejam uma tendência. É impossível não pensar em sustentabilidade nos dias de hoje na execução de qualquer projeto. Vejam que em São Paulo, há alguns anos, houve um “boom” de biocombustíveis no transporte coletivo por ônibus em São Paulo.

Tivemos vários ônibus movidos a biodiesel, diesel de cana e etanol. Todos os veículos que rodavam com algum tipo de biocombustível tinham um adesivo colado na lateral com o nome do programa Ecofrota. Iniciado em 2009, durante a gestão de Gilberto Kassab (PSD), o programa foi extinto durante da gestão de Fernando Haddad (PT), restando apenas, atualmente, os trólebus, que não passam de 200 unidades, muito pouco para uma cidade do porte de São Paulo.