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Jornal da Unesp online

Laboratório de Bauru avalia poluição de queimadas em canaviais

Publicado em 01 abril 2010

Por Cínthia Leone

O Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet), câmpus de Bauru, e o Centro de Análise e Planejamento Ambiental (Ceapla), câmpus de Rio Claro, integram equipe de pesquisa que detalhará o impacto da poluição gerada por queimadas em canaviais. Parte das medições será feita pelo Laboratório de Monitoramento Ambiental (Lapam), inaugurado em 23 de março, no IPMet, pela ocasião do Dia Meteorológico Mundial.

As unidades estão incluídas em um projeto amplo chamado Cenpes - Cana, promovido pelo Centro de Pesquisas e Desenvolvimento "Leopoldo Américo Miguez de Mello" (Cenpes), da Petrobrás. A empresa, que é a distribuidora nacional do álcool combustível, pretende analisar a qualidade do ar em diferentes cidades do Estado de São Paulo para determinar a influência das atividades sucroalcooleiras no ambiente e nas mudanças climáticas.

Para realizar a investigação, a Unesp conta com um aparelho chamado Sodar (Sonic Detection And Ranging), que permite visualizar os fluxos das correntes de ar. O equipamento emite ondas acústicas, que retornam quando atingem qualquer obstáculo, como nuvens, por exemplo. O som é então captado por microfones especiais, e, a cada 30 minutos, são atualizados os gráficos que mostram a direção dos ventos. "Com esses instrumentos podemos dizer para onde a poluição produzida em uma determinada região vai naquele momento", afirma Gerhard Held, coordenador do Lapam.

Um outro dispositivo ajuda na investigação: o Lidar, da sigla em inglês Light Detection and Ranging, que lança feixes de raios laser na atmosfera para fazer medições. Ele é extremamente sensível à presença de aerossóis - conjunto de partículas minúsculas suspensas no ar. Esses resíduos são gerados naturalmente por vegetais, atividades vulcânicas, pulverização da água e tempestades de areia. As queimadas, naturais ou provocadas, e as atividades humanas contribuem para o aumento da produção dessa poluição, que, além de afetar a respiração, pode alterar a duração e atividade das nuvens.

O aparelho é itinerante e ficou em Bauru de 1º a 9 de fevereiro, quando pôde medir as condições atmosféricas no fim da safra da cana, tempo em que as queimadas já tinham cessado. Esses dados serão confrontados com outros, produzidos pela mesma máquina, que voltará a operar na unidade no período de queima nos canaviais.

Além do IPMet e do Ceapla, participam da pesquisa: o Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen), da USP; o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe); e o Centro de Ensino e Pesquisa em Meio Ambiente (Cepema), do câmpus de Cubatão da USP.

Pioneirismo

Durante a inauguração do Lapam, comemoraram-se os 35 anos de utilização do Radar (Radio Detection and Ranging), no IPMet, completados em 2009. O instituto foi o primeiro da América Latina a adotar essa tecnologia, com o apoio da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo), que decidiu incentivar o desenvivimento da meteorologia, ciência pouco estudada no país até então.

O Radar emite ondas eletromagnéticas que são refletidas pelos objetos, permitindo determinar a localização. O primeiro modelo utilizado na Unesp foi o Banda -C, que operou em sistema analógico de 1974 a 1978, passando para digital e mantendo-se ativo até 1992. Hoje, o instituto dispõe de dois modernos radares do tipo Banda S - Doppler, que cobrem a quase totalidade do território paulista, além de parte do estado do Paraná, do Mato Grosso do Sul e do Triângulo Mineiro.

O IPMet também foi pioneiro no Brasil em 2005, quando passou a trabalhar com a previsão em tempo real, empregando a tecnologia Titan (Thunderstorm Identification, Tracking, Analysis and Nowcasting). A principal atribuição do instrumento é permitir a exploração dos dados obtidos pelos radares. Alertas são emitidos para a Defesa Civil sobre eventos meteorológicos severos, como fortes tempestades e chuvas de granizo. Atualmente, o serviço atende às regiões centrais e ao oeste paulista, mas a meta é estender a cobertura para todo o estado.