Notícia

Gazeta de Limeira

Laboratório de análise de ácaros atenderá produtores da região

Publicado em 20 dezembro 2009

O Instituto Biológico, da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, inaugurou há três semanas o Laboratório de Acarologia, que dará suporte a produtores rurais, sobretudo da região. Nesta semana, a Gazeta mostrou que uma nova praga foi descoberta em Limeira nos pomares de lichia pelos pesquisadores do novo órgão.

O laboratório realizará análises de produtos para exportação e também atenderá na identificação de todas as espécies de ácaros, agentes de pragas e doenças que atacam as plantações.

O novo local faz parte do processo de modernização e credenciamento dos institutos de pesquisa agropecuária do governo do Estado. Neste laboratório, foram investidos em obras de infraestrutura R$ 100 mil. A Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e CNPq também contribuíram na compra de equipamentos e reagentes, além do financiamento de bolsas de pós-doutorado, mestrado e iniciação científica para os estudantes que auxiliam na condução dos trabalhos no laboratório.

Segundo o diretor do Instituto Biológico, Antonio Batista Filho, sua importância está relacionada ao fato de que o número de novas espécies de ácaros fitófagos, reconhecidamente importantes como pragas ou vetores de vírus, tem aumentado consideravelmente nos últimos anos no Brasil. Dentre essas espécies, ele cita a Raoiella - ácaro vermelho das palmeiras-, Schizotetranychus hindustanicus - ácaro hindu dos citros, eriophyes litchii - ácaro da erinose da lichia -, já presentes no Brasil. Esta última espécie foi a identificada, primeiramente, nos sítios de Limeira.

Esse tipo de ácaro já causa sérios riscos na agricultura da China e Austrália. Acredita-se que algum produtor tenha importado muda contaminada, que disseminou-se pela região.

Ações

Para as duas primeiras espécies, pesquisadores do Instituto, em parceria com Ministério da Agricultura e Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), realizam ações visando à contenção e controle das pragas na região onde elas já estão presentes, como Roraima. "Caso essas espécies se disseminem pelo País, podem causar prejuízos econômicos imensos à produção de coco; ele chega a reduzir a produção em 50%", afirma Batista. Além das espécies novas, diversos ácaros fitófagos, como o da leprose dos citros, causam gastos anuais de US$ 60 a 100 milhões, apenas com a aplicação de acaricidas para o seu controle.

Para esses ácaros-praga, os pesquisadores do Instituto Biológico concentram esforços para solucionar ou minimizar os problemas causados, desenvolvendo pesquisas com o uso de inimigos naturais, como ácaros predadores da família Phytoseiidae. Além disso, os pesquisadores realizam um número considerável de palestras e cursos de treinamento sobre identificação e manejo de ácaros no Estado de São Paulo e outras localidades brasileiras.

Um dos pesquisadores, Mário Sato, diz que é de interesse do instituto observar a disseminação de doenças nas propriedades. Ao perceber sintomas anormais, os produtores podem entrar em contato pelo telefone (19) 3251-0319, em que podem ser esclarecidas dúvidas e até agendadas visitas.

Para o problema da nova praga da lichia, a Secretaria Municipal da Agricultura também está tomando providências. Será elaborado um plano de combate junto com outros órgãos estaduais. O telefone da secretaria é 3451-7309.