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Secretaria de Ensino Superior (SP)

Laboratório da USP, em parceria com a Unicamp, pensa alternativas para a reabilitação

Publicado em 09 setembro 2008

Por Saulo Yassuda, da USP Online

De volta ao Brasil, docente traz na bagagem conhecimentos inovadores sobre reabilitação

Tudo começou em 1985, na cidade de Glasgow (Escócia), onde o professor Alberto Cliquet Junior, então doutorando em bioengenharia, foi responsável pela recuperação dos movimentos de um paciente paraplégico - ato que foi considerado uma façanha na época. De volta ao Brasil, o docente trouxe na bagagem conhecimentos inovadores sobre reabilitação. Com o apoio da Fundação do Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), ele conseguiu levar adiante seu projeto de desenvolver a área no país.

Hoje professor da USP e da Unicamp, ele coordena dois laboratórios - um em cada universidade -, ambos ligados à reabilitação de pessoas com deficiência física. Médicos e fisioterapeutas cuidam de paraplégicos e tetraplégicos no Ambulatório de Reabilitação do Lesado Medular do Hospital das Clínicas da Unicamp. Enquanto isso, na USP, o Laboratório de Biocibernética e Engenharia da Reabilitação (Labciber) da Escola de Engenharia de São Carlos (EESC) pesquisa e produz muitos dos equipamentos utilizados no hospital. "As necessidades que são sugeridas no Ambulatório vêm para cá como linha de pesquisa", explica Renato Varoto, pesquisador do Labciber.

Há, segundo o professor Alberto Cliquet Junior, um intercâmbio entre os alunos da EESC e da Faculdade de Ciências Médicas (FCM) da Unicamp. Estudantes de engenharia, medicina e fisioterapia - tanto de graduação como de pós-graduacão - trocam experiências e idéias no Labciber e no Ambulatório.

A experiência é exemplar, como diz o docente. "Nós somos 'o' centro para a América Latina, para o Hemisfério Sul." Alberto conta ter participado de quatro bancas na Austrália - país que, segundo ele, tem os laboratórios brasileiros como referência para a reabilitação de pessoas com deficiência física.

Apesar do sucesso, Alberto afirma que a área de reabilitação sofre algumas dificuldades no país, que ele acompanha na prática ao ver a situação dos doutores que forma. Ele mesmo, por exemplo, só conseguiu seguir adiante com seu projeto em razão da ajuda da Fapesp. "Fica difícil, muitos pesquisadores não têm estrutura para levar o trabalho adiante", lamenta.

Aparelhos

O principal trabalho Labciber é desenvolver aparelhos ligados à reabilitação dos movimentos. "O que a gente tem forte é a reabilitação de membros superiores", explica Alberto. "Misturamos órtese [dispositivo externo que corrige funções do corpo] e estímulos elétricos para o paciente poder ganhar movimentos voluntários."

O pesquisador Renato Varoto, por exemplo, desenvolveu uma órtese para os braços que permite ao portador de deficiência alcançar objetos e, aos poucos, ganhar movimentos. A órtese induz os movimentos repetitivos no paciente, o que proporciona um rearranjo dos neurônios do indivíduo, "possibilitando algum ganho motor no final da terapia", afirma Varoto. Os testes com o equipamento começam a ser feitos com voluntários no ambulatório da UNICAMP ainda em setembro.