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Universia Brasil

Laboratório aeroespacial

Publicado em 23 janeiro 2007

Por Thiago Romero, Agência FAPESP

A Agência Espacial Brasileira (AEB), o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e três universidades do Estado de São Paulo estão desenvolvendo um satélite universitário para a realização de experimentos com aplicação na área espacial.
A idealização do satélite Itasat, cujos estudos de viabilidade técnica estão próximos da conclusão, conta com a participação de alunos e professores do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), nas áreas de engenharia e computação, da Universidade de São Paulo (USP), nas áreas de engenharia elétrica e telecomunicações, e da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), na área de computação.
De acordo com o coordenador-geral do projeto, Osamu Saotome, professor da Divisão de Engenharia Eletrônica do ITA, o Itasat será destinado à formação de mão-de-obra especializada. "Diferentes linhas de estudo poderão ser realizadas com base nas informações geradas pelo satélite. Apesar de as aplicações práticas dos dados ainda não estarem totalmente definidas, daremos prioridade aos experimentos com tecnologias do próprio satélite", disse à Agência FAPESP.
Segundo Saotome, como o Itasat está sendo criado com forte componente de capacitação de recursos humanos, fomentar o interesse de estudantes universitários para as atividades aeroespaciais é o objetivo mais palpável do projeto. A construção do Itasat está prevista para meados de 2008 e o lançamento para o começo de 2010.
"Quando o satélite estiver em órbita, a intenção é permitir que os estudantes testem tecnologias que possam ser incorporadas em programas espaciais de cooperação internacional", disse o professor do ITA. Os experimentos no satélite terão foco em especialidades como controle de atitude, computação, telecomunicações, mecanismos, controle térmico e geração e distribuição de potência.
"Mais de 15 docentes e cerca de 50 alunos de graduação e pós-graduação já estão envolvidos com as fases de pesquisa básica e aplicada do Itasat, com um volume considerável de artigos submetidos para publicação em revistas nacionais e internacionais", disse.

Detalhes técnicos
Osamu Saotome explica que as características orbitais do Itasat serão semelhantes às dos satélites de coleta de dados SCD-1 e SCD-2, construídos pelo Inpe e lançados em 1993 e 1998, respectivamente. Os dois satélites em órbita coletam informações meteorológicas e as enviam para plataformas de coleta de dados espalhadas pela América do Sul.
A construção do Itasat, que pesará aproximadamente 70 quilos e terá uma vida útil de três anos, aproveitará ainda alguns componentes de subsistemas do FBM (French-Brazilian Microssatellite), projeto de um microssatélite científico que seria desenvolvido por instituições brasileiras e francesas, mas que foi cancelado em 2003 pela Agência Espacial Francesa (CNES).
De acordo com o convênio entre os dois países, equipamentos como magnetômetro, bobinas magnéticas, sensor solar e transponder, que já haviam sido adquiridos para o FBM, serão usados para a construção do Itasat.
Em 2002, estudantes de engenharia elétrica e de telecomunicações da Universidade Norte do Paraná (Unopar), em Londrina, construíram o Unosat (Undergraduate Orbital Student Satellite), satélite experimental que não pôde entrar em órbita, pois foi destruído na explosão do veículo lançador VLS-1 em agosto de 2003, no Centro de Lançamento de Alcântara, no Maranhão.
Mais informações sobre o projeto Itasat: www.itasat.ita.br.