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DCI

Künzel recupera o tecido ósseo utilizando proteína

Publicado em 19 outubro 2002

Por Fabiana Pio
A pequena empresa Künzel, especializada no desenvolvimento de produtos para implantes odontológicos e regeneração tecidual, criou um processo inédito para o tratamento de fraturas nas áreas de ortopedia e odontologia. Trata-se da produção em larga escala de uma proteína capaz de estimular células que formam o tecido ósseo. De acordo com o pesquisador Agnaldo Campos, diretor da Künzel, com essa técnica é possível oferecer um produto mais barato graças à rapidez de fabricação da proteína. "Esse é um produto inédito nacional e tem um custo 20% inferior ao importado", diz. As norte-americanas Stryker Sofamoer-danek são duas das empresas no mundo que fabricam essa proteína, mas derivada de um outro processo. Segundo Campos, com essa nova tecnologia, a Künzel pretende atingir dois mercados: ortodontia e ortopedia. O primeiro tem cerca de 100 mil pacientes ao ano. Já no de ortopedia, são registradas cinco milhões de fraturas de osso por ano. Desse número, 10% respondem mal à terapia convencional. "Esse é o nosso público-alvo. A previsão é faturar, depois de cinco anos, mais de R$ 20 milhões, anualmente, com o novo produto", diz Campos. Denominada morfogenética óssea (BMP), a proteína é produzida pela Künzel a partir de uma bactéria recombinante (geneticamente modificada), que leva cerca de 12 minutos para ser fabricada. Com isso, a Künzel tem capacidade de produzir de 100 a 150 miligramas por mês. "Isso é muito quando se trata de uma proteína", diz Campos. Já o outro processo consiste em obter a substância da célula de um animal mamífero, que leva três dias para ser produzida. De acordo com Nilza Yoshida, dentista especializada em implantes formada pela Universidade de São Paulo (USP), ela começou a utilizar a BMP há apenas dois meses. "Preciso aguardar mais 120 dias para verificar os resultados. Mas resolvi utilizar esse material graças à alta tecnologia e baixo custo", diz a médica. Segundo Yoshida, a Künzel vende a proteína por US$ 160 e ainda divide em três vezes. Com isso, é possível cobrar R$ 400 por uma cirurgia. "Já o hospital Albert Einstein cobra R$ 10 mil para realizar a mesma operação, porque usa a proteína importada", diz a dentista. A BMP demorou cerca de quatro anos para ser desenvolvida pela Künzel, e recebeu R$ 1 milhão da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). Estabelecida há 8 anos no mercado nacional, a Künzel prevê faturar R$ 2,8 milhões neste ano. Localizada na cidade de Bauru, a empresa tem cerca de 40 funcionários. A Künzel tem também o suporte financeiro da Financiadora de Estudos e Projetos do Ministério de Ciência e Tecnologia (Finep), e do Banco do Brasil, entre outros.