Notícia

DCI

Komlux abre nova frente para tratamento da icterícia

Publicado em 09 março 2002

Por Fabiana Pio
Os hospitais Albert Einstein, São Paulo e instituições como Escola Paulista de Medicina e Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) já estão em negociações avançadas para adquirir uma tecnologia que permite aos recém-nascidos com icterícia ser tratados sem ficar longe de suas mães. A icterícia é causada pelo excesso, no sangue, de bilirrubina - um pigmento biliar normalmente filtrado pela placenta. Se a doença não for tratada, pode provocar e danos ao sistema nervoso central do bebê. De acordo com dados do Centro de Assistência Integral à Mulher (Caism) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), a icterícia afeta 5% das crianças que nascem no país a cada ano, o que equivale a 200 mil bebês. TECNOLOGIA A pequena empresa de Campinas Komlux desenvolveu uma manta tecida com fibras ópticas que emite luz. Ela deve ficar em contato com a pele do bebê, tem 0,5 cm de espessura e cerca de 20 cm de comprimento. Segundo Cícero Souza Filho, diretor-proprietário da Komlux, a manta é portátil e pode ser usada em casa. Além disso, não é necessário interromper o tratamento para a amamentação, como ocorre no método convencional. O método tradicional é utilizado por praticamente todos os hospitais do país, inclusive os mais modernos, como o Albert Einstein e o São Luiz, em São Paulo. Eles usam a fototerapia como método tradicional. As crianças com icterícia precisam ficar num berço, denominado biliberço, com fraldas e olhos vendados. Elas devem ficar submetidas à luz que sai de lâmpadas fluorescentes. NEGÓCIOS Segundo Souza Filho, o Ministério da Saúde liberará o registro do equipamento nas próximas semanas, e o produto começará a ser comercializado no país a partir do segundo semestre deste ano. "A Komlux irá investir R$ 80 mil para o lançamento do equipamento. Já utilizamos parte dos recursos para a produção de catálogos e material de divulgação", diz o empresário. Para Souza Filho, a empresa espera vender cerca de 50 produtos por mês, sendo que cada um será comercializado por R$ 3,3 mil. "Um produto similar importado da japonesa Homeda, custa US$ 4 mil. O Brasil tem cerca de cinco mil hospitais que podem adquirir o produto". Segundo Souza Fillho, este é o primeiro aparelho 100% nacional. O empresário pretende primeiro conquistar o mercado nacional, e então exportar para Alemanha, Estados Unidos e América do Sul. "Estou me preparando para o certificado ISO 9000, um pré-requisito para obter a marca CE, da Comunidade Econômica Européia" PROJETO Para desenvolver a tecnologia, Souza Filho participou do Programa Inovação Tecnológica em Pequenas Empresas (PIPE), da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo. O projeto teve início em 1998 e consumiu cerca RS 300 mil. Fundada em 1986, a Komlux tem 40 funcionários e desenvolve fibras ópticas e equipamentos. Entre os clientes estão Embraer, Mercedes Benz e IBM.