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Meio Norte

Karla Holanda lança "Documentário Nordestino"

Publicado em 10 janeiro 2009

Pesquisa sobre a produção de documentários no Nordeste abrange o período de 1994 a 2003. Mestranda traça o percurso histórico em cada um dos nove estados da região

A cineasta piauiense Karla Holanda vai lançar no dia 15 de janeiro, na Oficina da Palavra, o livro “Documentário Nordestino – mapeamento, história e análise”. A obra é resultado do trabalho de pesquisa de mestrado, iniciada em 2003, realizada no Departamento Multimeios, da Unicamp, e concluída em 2005.

Segundo a cineasta, dois fatores foram primordiais para realização do projeto, escrever sobre documentário e o Nordeste. “Este livro, lançado pela editora Annablume, é inédito, pois não há em nenhuma outra região do país”, diz, afirmando que este é o maior levantamento feito da produção de documentários do Nordeste no período de 1994 a 2003 e também traça o percurso histórico do documentário em cada um dos nove estados da região.

Karla Holanda observou durante a pesquisa que os estados que mais realizaram documentários são o Pernambuco, Bahia, Ceará e Paraíba.

“São os que mais investiram em formação, realização de concurso por editais, festivais e leis de incentivo”, garante, declarando que os demais estados têm uma produção reduzida e esporádica porque não implantaram uma política estratégica na forma de lidar com as possibilidades do audiovisual.

Para ela, o Ceará é exemplar, pois além de ter um festival nacionalmente conhecido, é um estado onde há leis de incentivo que funcionam e tem também o Instituto Dragão do Mar.

É um estado que tem uma produção acima da média dos demais a região e tem revelado bons cineastas, como Márcio ramos, diretor de Vida Maria; e Petros Cariri, filho de Rosemberg Cariri. “A classe audiovisual está mais amadurecida”, comenta.

A obra conta com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa de São Paulo (FAPESP) será lançada primeiro em Teresina e em março em São Paulo. (I.C.)

Cineasta tem projetos para fazer minissérie no Piauí

Como diretora, Karla Holanda está envolvida em dois projetos de documentários. O primeiro, "O Cinema é brasileiro", discute o caminho para o audiovisual se consolidar como indústria no Brasil. Ela vem atuando neste projeto desde 2006 e pretende concluir neste ano.

"É um projeto visceral para mim, pois é uma forma de explicar para minha mãe o que faço na vida e o quanto dói fazer cinema", diz, declarando que há muitos projetos e planos, mas por falta de incentivo e recursos, muitos acabam não funcionando, pois a indústria cinematográfica não é consolidada e o mercado ainda trabalha para permanência de meia dúzia de pessoas.

Neste documentário, a cineasta quer mostrar os jogos de interesse envolvidos na área, que muitas vezes ultrapassam a soberania do país, dos estados.

"Estou com quase 70% das gravações concluídas e já iniciei a edição. No momento busco apoio através de venda antecipada para alguma televisão", revela, informando ainda que este documentário tem a trilha sonora de Mirton de Paula e edição do também piauiense Dênio Lopes.

O segundo projeto é uma série de documentários sobre escritores, como Antônio Sales, Rachel de Queiroz, Aníbal Machado, Pedro Nava, dentre outros.

A cineasta também diz que há um ano iniciou a pesquisa e já escreveu o projeto do documentário "De Zé a Kátia", sobre a Kátia Tapety, de Colônia do Piauí.

Nesta produção, ela mostra as várias facetas desta personalidade rica e folclórica. "Neste filme experimento nova linguagem através de uma nova estrutura de narrativa", explica.

Karla, que divide seu tempo entre Rio e São Paulo, ainda cita outro projeto que está numa fase embrionária. Trata-se de uma minissérie que tem o argumento e o roteiro iniciados.

"Esse filme é para ser filmado no Piauí e aqui entra o Parque Nacional Serra da Capivara", dia a diretora dos filmes "Riso das Flores" e "Vestígio", que foram exibidos em festivais nacionais e internacionais.