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CNI - Confederação Nacional da Indústria

Juro alto e imposto excessivo retardam a inovação nas empresas

Publicado em 02 dezembro 2010

São Paulo - Os obstáculos às empresas brasileiras na oferta de mão-de-obra qualificada, na carga tributária elevada, excesso de burocracia, altas taxas de juros e no câmbio valorizado impedem os investimentos em inovação. Essa equação faz com que os recursos disponíveis para incentivar a inovação não sejam usados plenamente pelo setor empresarial.

O diagnóstico foi feito no debate Inovação: Alvo da Competitividade da Indústria, realizado nesta quinta-feira, 2 de dezembro, no 5º Encontro Nacional da Indústria, promovido pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) no Transamérica Expo Center, em São Paulo.

"As empresas brasileiras não atuam em um vácuo, mas num determinado cenário econômico que tem sido adverso às atividades industriais", criticou o presidente do Grupo Ultra, Pedro Wongtschowski, que participou do debate. Segundo ele, menos de 800 empresas foram beneficiadas pela chamada Lei do Bem, a lei 11.196/2005, que criou incentivos fiscais para aquelas que realizam pesquisa tecnológica. Um dos motivos, apontou, é que a legislação beneficia somente as empresas que trabalham pelo regime de lucro real na apuração do imposto de renda, o que exclui as de pequeno porte.

"Os motivos que afetam a decisão das empresas de fazer atividade de pesquisa e inovação extrapolam a falta de estímulos oferecidos pelo Estado", reforçou o diretor científico da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), Carlos Henrique de Brito Cruz. Para ele, a falta de mão-de-obra qualificada é uma das razões da baixa atividade inovadora nas empresas. "Havia 10% a mais de pesquisadores nas empresas brasileiras em 2005 do que em 2008", revelou Brito Cruz. De acordo com o diretor da Fapesp, a maior restrição à formação de profissional no Brasil está no ensino médio e não no superior.

O presidente da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI), Reginaldo Arcuri, acrescentou ser fundamental a coordenação das atividades de incentivos à inovação dentro do governo e entre os setores público, privado e universidades. Nesse sentido, Arcuri ressaltou a importância da Mobilização Empresarial pela Inovação (MEI), iniciativa da CNI com o objetivo de dobrar, em quatro anos, o número de empresas inovadoras no país.

A superintendente da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), vinculada ao Ministério de Ciência e Tecnologia, Eliane Bahruth, disse que a MEI será importante para mobilizar as empresas a buscarem mais recursos destinados à inovação. "Falta demanda qualificada para afirmarmos que não existem recursos suficientes de subvenção à inovação. Essa mobilização e o pacto entre todos os atores da sociedade serão fundamentais", avaliou Bahruth.