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Jornal de Piracicaba online

Juliana Dedini Ometto assume a missão do pai Dovílio Ometto

Publicado em 30 agosto 2007

Dedini vai passar por uma reorganização, que atingirá todos os setores, mas manterá diretrizes definidas pelo presidente

Juliana Dedini Ometto é a sucessora do pai, Dovílio Ometto (1918-2007), para a presidência da Dedini Indústrias de Base. O empresário faleceu na quarta-feira, em São Paulo, e foi sepultado ontem à tarde, no Cemitério da Saudade. A escolha da filha foi feita em comum acordo pelos acionistas da empresa há alguns anos. Juliana vinha sendo preparada desde 2004 para assumir o cargo, uma vez que Ometto se afastou gradativamente das empresas.

O filho de Juliana, Giuliano Dedini Ometto Duarte, afirmou ontem ao Jornal de Piracicaba que a empresa está montando um núcleo de diretrizes estratégicas. "Ainda é embrionário, foi criado em parceria com o meu avô, mas deve sair do papel em breve", diz. Segundo ele, a mãe vai perpetuar os trabalhos de Ometto. "Inicialmente será mantida a estrutura organizacional, mas há previsão de mudanças. Será apenas uma reorganização, nada radical."

A reorganização, segundo ele, vai atingir todos os setores da empresa, desde o administrativo ao chão de fábrica. Uma das ações já começou: a reocupação do antigo prédio da Dedini, próximo ao Shopping Piracicaba. "Dividimos a área administrativa da empresa e vamos atuar metade em cada local para os próximos dois anos, quando construiremos a nova sede administrativa", diz Ometto Duarte.

A nova sede administrativa da Dedini ainda não tem um local definido, mas deve localizar-se nas proximidades do Shopping Piracicaba. "A reorganização também acontece em decorrência das novas contratações que estamos iniciando na empresa. Mas não saberei quantificar quantos serão os novos postos de trabalho", afirma o neto de Ometto.

Em relação à abertura de capital (entrada na Bolsa de Valores), Ometto Duarte garante que ainda não há previsão. "Necessitamos buscar capitalização para a sustentabilidade do crescimento da Dedini, mas a abertura de capital é apenas uma das alternativas", conta. Outra possibilidade, de acordo com ele, é uma sociedade estratégica.

ÍCONE - Ometto sempre foi reconhecido por seu espírito empreendedor. Foi ele quem criou o DHR (Dedini Hidrólise Rápida), processo que transforma em poucos minutos, por meio da hidrólise ácida, o bagaço da cana em material fermentável que pode ser utilizado para produção de álcool. O sonho de Ometto foi concretizado em junho deste ano, por meio de um convênio assinado entre a Dedini e a Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo), durante a abertura do Simtec (Simpósio Internacional e Mostra de Tecnologia da Agroindústria Sucroalcooleira).

Os R$ 100 milhões de investimentos previstos no convênio serão destinados à construção de uma planta piloto (instalação industrial para testes) que agrupe as pesquisas científicas e tecnológicas para a otimização do DHR. A planta vai ser preparada para, por exemplo, fazer recepção e pré-tratamento do bagaço, alimentação de reator e recuperação de hidrossolvente.

De acordo com Sérgio Leme dos Santos, vice-presidente corporativo do grupo, a estratégia da empresa é possuir o produto final (o DHR) nos próximos três anos, para industrialização e venda. Ainda segundo ele, a Dedini possui outros projetos em andamento com parcerias entre universidades e a própria Fapesp. "Dovilio gostava sempre de buscar tecnologia e inovação", diz Santos.

Para Tarcísio Mascarim, diretor corporativo da Dedini, Dovílio Ometto foi um ícone no meio empresarial. "Eu sempre me espelhei nele, e no Mario Dedini, sempre aprendendo algo com os dois", afirma. Para Mascarim, a sobrevivência da Dedini até os dias atuais, quando vive a melhor fase com a expansão do setor sucroalcooleiro, deve-se à garra de Ometto. "A sua estratégia e luta certamente continuarão com sua sucessora", diz. Ometto dedicou-se às empresas por 65 anos 

Jornal de Piracicaba Online — 30/08/2007