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Julho Verde alerta sobre câncer de cabeça e pescoço - Tribuna de Ituverava

Publicado em 16 julho 2018

Começou, dia 1º, a campanha Julho Verde, que busca conscientizar a população a respeito da importância dos exames preventivos do câncer de cabeça e pescoço, doença que, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), é mais frequente nos países em desenvolvimento e representa o nono tipo de câncer mais comum no mundo, com 700 mil novos casos por ano. No Brasil, a estimativa é de cerca de 23 mil casos por ano, segundo o Instituto Nacional do Câncer (Inca).

O câncer de cabeça e pescoço compreende todos os tumores que se originam na boca (cavidade oral), nariz (nasofaringe, cavidade nasal e seios paranasais), garganta (orofaringe, hipofaringe, laringe) e nas glândulas salivares.

No Brasil, a campanha é coordenada pelo segundo ano consecutivo pela Associação de Câncer de Boca e Garganta (ACBG), com o lema “Toda voz merece ser ouvida”, já que, na maioria dos casos, o tratamento compromete a fala do paciente.

Os tumores desse tipo de câncer têm maior prevalência em homens com mais de 50 anos, sendo o segundo mais frequente na população masculina brasileira.

A ingestão de bebidas alcóolicas, o hábito de fumar, a má alimentação e a incidência da infecção pelo papilomavírus (HPV) aumentam de forma significativa as chances de desenvolvimento do câncer de cabeça e pescoço.

Perfil

No entanto, o perfil do paciente com este tipo de câncer não se limita mais a homens mais velhos que fumam e bebem. Nos últimos anos, este tipo de câncer também vem atingindo homens jovens com idades entre 30 e 45 anos, o que se deve em grande parte ao aumento do índice de contaminação pelo HPV.

Transmitido geralmente por meio da prática do sexo desprotegido, o vírus HPV, quando instalado, causa infecções que facilitam a formação de tumores na amígdala, faringe, laringe e cavidade oral.

Os locais de maior ocorrência do câncer de cabeça e pescoço são a cavidade oral e a laringe, sendo que 60% dos casos acometem a glote. O carcinoma epidermoide é o tipo mais comum da doença, sendo responsável por mais de 90% de seus episódios. Este tipo de câncer tem origem nas células que recobrem a mucosa de toda a região da cabeça e do pescoço.

O carcinoma adenoide cístico e o carcinoma mucoepidermoide são responsáveis pela maioria dos tumores das glândulas salivares. Os sarcomas, linfomas e adenocarcinomas são os tipos mais raros da doença e compreende cerca de 5% dos casos.

Fase inicial

Em sua fase inicial, o câncer de cabeça e pescoço têm crescimento mais lento, podendo se instalar como lesão maligna ou se originar a partir de lesões pré-malignas como as leucoplasias e eritroplasias. Com o seu crescimento, o tumor primário invade os tecidos vizinhos à área afetada.

Remédio para diabete é testado em 2 mil portadores da doença

Em um estudo feito com mais de 2 mil voluntários em cinco hospitais do Estado de São Paulo, o uso de metformina – um dos medicamentos antidiabéticos mais prescritos no mundo – foi associado a uma redução no risco de câncer de cabeça e pescoço.

A diminuição foi mais acentuada, em torno de 60%, entre os voluntários considerados de alto risco para a doença – aqueles que consumiam mais de 40 gramas de álcool por dia (o equivalente a três latas de cerveja) e mais de 40 maços de cigarro em um ano.

Os dados foram apresentados por Victor Wünsch Filho, professor da Faculdade de Saúde Pública (FSP) da USP, no congresso Next Frontiers to Cure Cancer, organizado pelo A.C. Camargo Cancer Center.

“Estudos anteriores já haviam mostrado uma associação entre diabete, uso de metformina e uma redução no risco de outros tipos de câncer, como pulmão, cólon e pâncreas. No caso dos tumores de cabeça e pescoço, porém, os dados existentes na literatura científica eram muito contraditórios. Por isso decidimos investigar melhor”, contou Wünsch.

Estudo

O estudo do tipo caso-controle foi realizado durante o doutorado de Rejane Figueiredo, como parte do projeto Genoma do Câncer de Cabeça e Pescoço (Gencapo), que reúne cientistas de diversas instituições e é apoiado pela Fapesp.

Os resultados foram publicados na revista Oral Oncology. Foram incluídos, ao todo, 1.021 portadores de câncer de cabeça e pescoço – um conjunto heterogêneo de tumores que afeta locais como a cavidade oral (lábios, língua, assoalho da boca ou palato), os seios da face, a faringe e a laringe – além das glândulas, vasos sanguíneos, músculos e nervos da região.

Grupos

Na pesquisa, os portadores da doença foram divididos em cinco subgrupos: cavidade oral, orofaringe, hipofaringe, laringe e orofaringe/hipofaringe não especificado.

Já no grupo-controle, foram incluídos 1.063 participantes sem a doença – selecionado entre pessoas que visitavam pacientes internados no hospital ou que estavam no serviço de saúde para atendimento ambulatorial de problemas não relacionados ao câncer, como doenças de pele, trato urinário, fraturas ou questões oftalmológicas, por exemplo.

“Excluímos aqueles que tinham doenças associadas ao uso de álcool e tabaco e também os visitantes de pacientes com câncer de cabeça e pescoço, dada à grande probabilidade de eles estarem expostos aos mesmos fatores de risco dos doentes, o que poderia enviesar os resultados”, explica o pesquisador.

Todos os participantes responderam a um questionário com dados sobre o perfil sociodemográfico, estilo de vida (consumo de cigarro e álcool, entre outros fatores) e condições de saúde (se eram portadores de diabete, se faziam uso de metformina e se tinham histórico familiar de câncer, entre outros).

Diabete

Também foram coletadas amostras de sangue que, no estudo, foram usadas para fazer o teste hemoglobina glicada, um dos mais precisos para diagnosticar o diabete.

Segundo Wünsch, até o momento, só foi possível avaliar o efeito da metformina associado ao diabete, pois são os portadores dessa doença os principais usuários do medicamento.

“Mas já há evidências de que o fármaco tem um efeito protetor importante por si só, que precisa começar a ser estudado na profilaxia do câncer e também no tratamento. Trata-se de uma droga barata e com poucos efeitos colaterais, então pode ser muito interessante”, completa o pesquisador.

Doença pode apresentar número alto de sintomas

Nas fases iniciais, os tumores de cabeça e pescoço podem ser assintomáticos, mas à medida que vão se desenvolvendo, costumam causar diversos sintomas.

Dentre eles estão: manchas brancas na boca, dor, lesão ulcerada ou com sangramento e de cicatrização demorada, nódulos no pescoço, mudanças na voz e rouquidão persistente, dificuldade para engolir, diminuição do apetite, cansaço, palidez e febre.

Já na fase mais avançada da doença, o paciente pode apresentar falta de ar, tosse, dores ósseas ou mesmo fraturas causadas por metástases.

Diagnóstico e prevenção

O diagnóstico da doença – que pode ser feito por meio de exames de imagem como a tomografia, endoscopia ou ressonância magnética – em sua fase inicial aumenta muito a efetividade do tratamento e as possibilidades de cura.

Para evitar a doença, o paciente deve se proteger durante as relações sexuais, e não fumar ou consumir bebida alcoólica em excesso, pois esses fatores são responsáveis por 60% dos casos de câncer de cabeça e pescoço.

Exames de rotina são indicados somente a pacientes que apresentam alguns dos sintomas da doença.

Quanto ao tratamento deste tipo de câncer, ele é definido a partir da identificação do estágio da doença. Dependendo do local e estadiamento da doença, o tratamento será realizado por meio de cirurgia, radioterapia ou quimioterapia. Em algumas situações, podem ser utilizadas mais de uma modalidade terapêutica.