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Jovem brasileiro entra para a lista de inovadores do MIT com ambição de criar corações artificiais

Publicado em 11 janeiro 2021

Gabriel Liguori uniu a medicina e o empreendedorismo para fundar a startup TissueLabs, que desenvolve tecidos e órgãos em laboratório. O pioneirismo o levou a entrar para a lista Innovators Under 35 LATAM

No ano passado, o paulista Gabriel Liguori, 31, recebeu um e-mail inesperado. Soube que havia sido indicado para a lista Innovators Under 35 LATAM, publicada anualmente pelo MIT Technology Review. Liguori diz não saber quem sugeriu seu nome para a prestigiada lista, mas o motivo é conhecido. A TissueLabs, startup fundada por ele e Emerson Moretto, atua na fabricação de tecidos e órgãos em laboratório. Sua ambição é desenvolver e lançar um coração artificial nos próximos 10 anos.

Diferente da figura tradicional de empreendedor prodígio, Liguori não tem MBA ou experiência no mundo corporativo. É médico pela Universidade de São Paulo (USP) e se especializou em cirurgia torácica e cardiovascular e medicina regenerativa. O interesse pela área médica vem da infância. Ele nasceu com cardiopatia congênita, uma má formação que prejudicava a circulação do sangue. Mesmo após a cirurgia, a convivência com médicos e hospitais foi contínua.

“Cresci querendo ser médico para oferecer esse tipo de tratamento para outras crianças”, diz ele. Ao final da graduação, o caminho mais óbvio seria a residência. Mas ele acabou atraído pela área de pesquisa, e se aprofundou na engenharia de tecidos. “Era uma área nova surgindo para curar não só cardiopatias congênitas, mas outras doenças. Vi que eu poderia ajudar ainda mais do que sendo cirurgião.”

Foi em meio às pesquisas na área que ele conheceu o sócio, o engenheiro de elétrico Emerson Moretto, 38. Na época, ele desenvolvia protótipos de bioimpressoras – um tipo de impressora 3D voltado à produção de estruturas celulares, como hidrogéis. Em 2019, com um auxílio de R$ 200 mil da PIPE-FAPESP, os dois tiraram a TissueLabs do papel.

O modelo de negócio tem duas frentes. Uma é focada no desenvolvimento de corações artificiais e tecidos que permitam regenerar os órgãos verdadeiros. A outra comercializa as soluções desenvolvidas nesse caminho. Os tecidos ajudam, por exemplo, a testar medicamentos em fase de desenvolvimento. Outra possibilidade é a criação de versões personalizadas para cada paciente, permitindo experimentar diferentes tratamentos para encontrar o melhor.

“Hoje, uma a cada oito drogas que vão para testes é aprovada. Com esses tecidos, os resultados vão para uma a cada quatro, seis”, explica Liguori. Os materiais começaram a ser comercializados em janeiro do ano passado e hoje atendem laboratórios no Brasil e em outros países. As vendas ajudam a financiar as ambições na área de cardiologia. Segundo ele, a técnica de regeneração está na última fase de testes pré-clínicos. Os corações artificiais estão na etapa in vitro, por isso a expectativa de lançá-los dentro de 10 anos.

Em junho de 2020, a startup recebeu um investimento de R$ 1,5 milhão liderado pelo economista Eduardo Zylberstajn. No mês seguinte, tornou-se residente da Incubadora USP/IPEN-Cietec. O ano de pandemia motivou o desenvolvimento de um novo projeto: um dispositivo que mimetiza o ambiente dos pulmões. Disponibilizado gratuitamente, ele vem ajudando cientistas a entender como o órgão reage ao Sars-Cov-2. Também virou produto para atender a pesquisas com outros fins.

No fim de 2020, veio o reconhecimento: além de indicado, Gabriel Liguori entrou para a lista Innovators Under 35 LATAM. “O prêmio veio em um momento bom, em que estamos planejando a internacionalização. Nosso business exige presença global”, diz ele. O plano é iniciar a abertura de hubs internacionais ainda este ano. A startup também dialoga com investidores para uma nova rodada de investimentos, prevista para a metade de 2021.

Gabriel Liguori, fundador da TissueLabs 

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