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Jornalistas criam agência de divulgação de estudos científicos inéditos no Brasil

Publicado em 29 janeiro 2020

No próximo dia 12 de fevereiro, será lançada a agência BORI, que irá disponibilizar para jornalistas estudos científicos de pesquisadores brasileiros.

As jornalistas Ana Paula Morales e Sabine Righetti são as coordenadoras da iniciativa que tem apoio financeiro da Fapesp e do Instituto Serrapilheira.

O Portal IMPRENSA conversou com a Sabine sobre o funcionamento da nova agência e sobre o jornalismo científico no país. A jornalista foi repórter de ciência na Folha de S. Paulo e Ana Paula trabalhou com revistas especializadas de ciência.

“A gente costuma dizer que o jornalismo científico está em todas as seções do jornal, não apenas na editoria de ciência. Jornalistas de cidades, de economia, de ambiente e até de políticas recorrentemente falam de trabalhos de cientistas. A gente quer ampliar isso de maneira significativa”.

O evento de lançamento da BORI contará com um bate-papo com Mariana Versolato (editora de ciência da Folha), Abel Packer (diretor da SciELO) e Marcelo Vianna (diretor do Impa).

As inscrições estão disponíveis .

Sabine Righetti - A ideia surgiu de uma necessidade que identificamos de disponibilizar para jornalistas estudos científicos de pesquisadores brasileiros. Esse tipo de serviço existe fora do país e é muito eficiente, mas aqui a nossa ciência fica escondida. Imagine que estamos entre os 15 maiores produtores de ciência do mundo, com uma média de 230 novos artigos científicos por dia publicados em 2018, mas a gente não vê isso na imprensa. Eu fui jornalista de ciência por muitos anos na Folha de S.Paulo, a Ana Paula trabalha com revistas especializadas de ciência e nós duas tínhamos dificuldade de encontrar os novos estudos nacionais (e facilidade para localizar estudos estrangeiros). Em 2018, falamos com dez dos principais jornalistas de ciência no país e todos relataram dificuldade. No ano passado, fizemos uma pesquisa com 140 jornalistas do país e o diagnóstico foi o mesmo. A gente quer resolver esse problema.

A BORI vai funcionar como uma agência de divulgação de estudos científicos inéditos do país. A novidade é que, para jornalistas previamente cadastrados, esses textos explicativos sobre as pesquisas estarão acompanhados do estudo original (em pdf ou link) e do contato do principal autor, que estará preparado para atender a imprensa (outra dificuldade que identificamos nos nossos levantamentos é que muitos jornalistas não conseguem localizar os cientistas e acabam desistindo das pautas). Jornalistas cadastrados também terão acesso antecipado a estudos nacionais que estão em vias de publicação.

Vale destacar que o projeto está sendo desenhado há mais de cinco anos e recebeu o primeiro aporte de recursos em 2018 (da Fapesp). Também temos financiamento do Instituto Serrapilheira por dois anos (2019 e 2020). No futuro, a ideia é que as faculdades, institutos e universidades brasileiras que quiserem que suas pesquisas sejam divulgadas assinem o serviço da BORI.

Sabine Righetti - Vamos fazer uma conversa sobre jornalismo científico no Brasil com Mariana Versolato (editora de ciência da Folha), Abel Packer (diretor da SciELO, biblioteca que reúne cerca de 300 periódicos científicos nacionais -- parceiros da BORI) e Marcelo Vianna (diretor do Impa, referência mundial em pesquisas em matemática). Vamos explicar como a BORI se encaixa no contexto do jornalismo científico brasileiro e como o sistema vai funcionar.

Também teremos uma fala da Natasha Felizi, diretora de divulgação científica do Instituto Serrapilheira. E, no mesmo evento, haverá lançamento de outro projeto, o Open-box da Ciência, também com financiamento do Serrapilheira. Será dia 12/2, às 9h, no IFT-Unesp da Barra funda.

Sabine Righetti - A gente costuma dizer que o jornalismo científico está em todas as seções do jornal, não apenas na editoria de ciência. Jornalistas de cidades, de economia, de ambiente e até de políticas recorrentemente falam de trabalhos de cientistas. A gente quer ampliar isso de maneira significativa.

A última pesquisa de percepção pública da ciência feita pelo MCTIC, apresentada em julho do ano passado, mostrou que 90% da população brasileira não sabe nomear um cientista ou uma instituição que faça ciência no Brasil. Isso não pode acontecer em um país que está entre os maiores produtores de ciência do mundo. A gente acha que a imprensa -- jornais, revistas, rádio, tv, youtube, sites etc -- é a ponte que precisamos para conectar a ciência à sociedade.

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