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“Jornalismo made in USA”

Publicado em 12 setembro 2012

Nos tempos incertos da “guerra fria”, duas correntes digladiavam na arena brasielira: uma “entrevista, tendo como lema “Tudo que é bom para os Estados Unidos é bom para o Brasil”: outra “nacionalidade”, defende a tese “Tudo que é bom para os Estados Unidos é ruim para o Brasil”

Quando fiz meu pós-doutorado na Universidade de Wisconsin (1973 – 1974), observei o modelo norte-americano de pós-graduação em jornalismo, adotado uma postura intermediária: minha hipótese de trabalho foi a seguinte: “Nem tudo que é bom para os Estados Unidos é ruim para o Brasil".

Privilegiado com bolsa de estudo de pós-doutorado concedida pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo, percorri várias universidades daquele país. Preparei um relatório circunstanciado, descrevendo minhas observações críticas.

Esse documento foi acolhido pela Fapesp, mas não encontrou receptivas nos escalões superiores da USP porque me posicionei eqüidistante dos radicalismos em contenda. Se por um lado reconhecia os méritos do modelo ianque, assimilado pragmaticamente das velhas raízes europeias: por outro lado, advertia sobre os inconvenientes de práticas didáticas que colidiam com as boas tradições acadêmicas brasileiras.

Como o momento político de então refletia confronto entre os militares da linha dura e os defensores da abertura “lenta, gradual e segura”, minha contribuição foi ignorada, para não dizer ocultada. A verdade é que fui demitido sumariamente da Universidade de São Paulo por motivos políticos, razão pela qual as autoridades acadêmicas nem sequer pautaram as minhas recomendações, julgadas inconscientes. Afinal de contas, eu não endossava a política educacional pactada no Acordo MEC-Usaid, nem assumia postura radical contra o modelo de ensino jornalístico ianque, então arejado pelo inquérito de Watergate. Só retornei à minha cátedra na USP beneficiado pela anistia política de 1979, ocasião em que resgatei algumas ideias postas no relatório de pós-doutorado.

Mas o documento integral ficou adormecido, até que foi transformado em livro, sob o título “Jornalismo Made in USA", e lançado recentemente em Chicago, pela Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação, na abertura do V Colóquio Brasil – EUA de Ciências da Comunicação. Dessa forma, a Intercom prestou dupla homenagem à entidades que o propiciaram. Enriqueceu a agenda comemorativa do centenário da Associacation for Education in Journalism and Mass Communication (AEJMC), tributando também seu reconhecimento à Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo ( FAPESP), no ano do seu cinquentário de criação.

José Marques de Melo, jornalista, professor universitário, pesquisador científico, consultor acadêmico, autor de livros. Atualmente é titular da Cátedra Unesco de Comunicação na Universidade Metodista de São Paulo (www.marquesdemelo.pro.br).